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sábado, 20 de março de 2010

Ética do sobrevivente e a desterritorialização

A questão contemporânea já não é a de cada um habitar uma casa própria, faltando a todos uma morada coletiva. O que se passa é que cada um está disperso entre três casas e integralmente não habita nenhuma
Não se trata de falta de condições de confiança intersubjetiva
A confiança que falta é a de cada um em relação a si mesmo, em relação à própria existência e continuidade, à própria capacidade de assumir uma história e fazer promessas
Assumir uma história pessoal, mesmo que sujeita a revisões permanentes e fazer promessas, mesmo que renegociáveis, implica em estabelecer com o “si-passado e com o futuro-si” uma relação de confiança. Eu só prometo e me comprometo quando posso minimamente confiar na minha capacidade de continuar “eu mesmo” no futuro. A ética do sobrevivente do mínimo eu, ao contrário, é totalmente avessa a promessas e muito resistente a qualquer territorialização
Um maciço investimento de si no “si mesmo” (sem passado nem futuro), um investimento concentrado e excludente, parece, então, ser a condição indispensável à sobrevivência física e psíquica do individuo. Já não lhe parece bastar uma casa fixa que o abrigue e defenda, por mais singular que seja, mas precisa de um casulo que ele, sem solo e verdadeira morada, possa carregar nas costas
No filme “O turista acidental”, no monologo inicial o personagem expõe sua filosofia de vida: Em uma viagem, como na vida, carregue uma bagagem mínima e bem empacotada, evite problemas e estranhos, esqueça de sua não-pertinência aos lugares, esteja preparado para tudo – para um súbito funeral, por exemplo – mas não se deixe tocar por nada; não se exponha a nenhuma perda.
A ética do sobrevivente é a que leva mais longe o caráter mortífero da contemporaneidade, convertendo o desligamento e desenraizamento impostos aos que transitam por não-lugares, em desenraizamento e desligamento desejados

FIGUEIREDO, L. C. “Ética, saúde e práticas alternativas”, in FIGUEIREDO, L. C. (1995) Revisitando as Psicologias: da epistemologia à Ética nas Práticas e Discursos Psicológicos .SP: EDUC; Petrópolis; Vozes

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Darfur is dying

03/02/2010

Um game sobre o genocídio em Darfur
A idéia é tão genial quanto polêmica. Pode uma tragédia humana servir de matéria-prima para o entretenimento?

“Darfur is dying” (Darfur está morrendo) é um game que usa o genocídio na região localizada no oeste do Sudão como mote.

Este é o link: www.darfurisdying.com

O jogador escolhe entre oito pessoas (seis crianças, uma mulher e um homem) para desempenhar várias tarefas. A principal delas é buscar água, que será usada para o cultivo de vegetais e fabricação de tijolos.

Mas no meio do caminho há os temíveis “janjaweed”, ou as milícias armadas pelo governo sudanês que são as responsáveis por grande parte da matança contra etnias locais. Desde que Darfur virou sinônimo de holocausto, em 2003, calcula-se que 300 mil pessoas tenham sido mortas e outras 2 milhões expulsas de suas casas. A situação é descrita por agências humanitárias como a maior catástrofe em vigor hoje no planeta. O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, foi indiciado por crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional.

Não sou grande especialista em games, apesar de jogar um Mario Bros. de vez em quando, mas “Darfur is dying” parece bem caprichado. Os gráficos são bons, e a dificuldade é razoável. Leva tempo até pegar a manha de coletar água no poço, desviando dos jipes com os janjaweed (eu, pelo menos, demorei). De vez em quando, soa um alerta: vem aí um ataque generalizado, e o pânico se espalha na pequena vila que seve de cenário.

Nenhum detalhe sórdido é poupado do jogador. “Amina”, uma personagem do jogo, foi procurar seu filho após um ataque e achou apenas sua cabeça decepada. “Melna”, mãe de dez filhos, perdeu sete deles após uma investida dos genocidas. E por aí vai.

A idéia é de um grupo de estudantes da Universidade do Sul da Califórnia, com apoio da Reebok Human Rights Foundation (uma ONG norte-americana) e do International Crisis Group (um dos mais importantes centros de pensamento do mundo). Pedem, no site, que espalhem “de forma viral” o joguinho para que as pessoas se familiarizem com a situação em Darfur. Há também links para mandar mensagens diretamente ao presidente Barack Obama.

E é moralmente condenável o que eles fizeram? Eu não vejo problema, ainda mais num mercado que tem títulos inspirados em outros fatos da história (como a Segunda Guerra Mundial e a do Vietnã). Mas gostaria de ouvir outras opiniões. Crises internacionais são guerras de propaganda. Ganha quem tiver a opinião pública a seu lado.

Para mim, o que os criadores de “Darfur is dying” fizeram foi encontrar uma maneira criativa de colocar um problema distante na escrivaninha de pessoas que jamais teriam contato com essa importante questão...

Escrito por Fábio Zanini

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

sábado, 8 de agosto de 2009

Qual o sentido da vida?

Estava vasculhando a bagunça desse quarto e acabei encontrando um troço interessante. Foi feito por mim, pela Carol, pelo Ronaldinho e pelo Caio.





5 coisas que você gosta

5 coisas que você tem vergonha

5 coisas que você sabe fazer bem

5 coisas que você tem medo

5 coisas que os outros acham que você é, mas que você não é

5 coisas que os outros gostam em você

5 coisas que você inveja nos outros

5 coisas que você quer

Por que você faz ou fez Psicologia (originalmente é isso, pode ser mudada para outro curso ou trabalho)?

Porque você gasta seu tempo do modo como você está gastando?

Porque você ganha(ria) dinheiro?

Porque você vive?



Alguém se anima a responder?

sábado, 16 de maio de 2009

Armas empunhadas contra a sociedade da imagem e das celebridades instantâneas

Acabei de descobrir um aliado poderoso na luta contra a imbecilidade do fascínio e do acompanhamento irrefletido da vida privada das celebridades.
Cabelereiros e manicures pobres, além de clínicas públicas.
É evidente que esses lugares, por mais que em algum momento tenham se preocupado em comprar umas revistas para que os clientes possam passar seu tempo, essa preocupaçao nao chega ao ponto de gastar dinheiro semanalmente nas novíssimas novidades do mundo de caras.
Ai as revistas ficam lá, envelhecendo. E o tempo é um antídoto poderoso. Esses dias vi a entrevista da Luana Piovani quando ela ainda estava "apaixonada" pelo Dado Dolabela. Dizia algo como "ele é maravilhoso. Me deu um carro! Um carro! Ninguém dá um carro pra uma pessoa! A gente sempre dá uma coisinha pequena, mas um carro? Todo dia quando saio para trabalhar, penso nele, tá lá a presença dele na minha garagem". É excelente pensar no que foi dar esse episódio de amor! É excelente pensar naquilo que mantinha tao lindo amor. E de repente, nao é mais uma notícia sobre amor incondicional ou sobre espancamento inesperado. Vira uma reflexao. Duas notícias idiotas, imediatas e podemos nos deparar com a profundidade do discurso celebridal.
A outra foi a notícia do casamento da Suzana Vieira com o PM. O que me chamou a atençao além da necessidade dela se sentir numa idade que ela já nao tem eram os presentes. Estavam presentes no casamento 3 atrizes. Como uma mulher que trabalha a décadas como atriz tem 3 companheiros de trabalho no casamento? 3 pessoas se dignaram a cumprir esse papel de presença no evento importante e noticiado. Imaginem o que levou o resto do povo a decidir nao aparecer.
Enfim, o noticiado do momentaneo e do fugaz, quando visto com uma distância temporal, revela sua supercialidade de uma maneira incontestável. Graças aos saloes de beleza e a clinica de atendimento psicologico da facul estamos mais livres.

domingo, 23 de março de 2008

Moinhos de Vento?

Artigo que talvez saia em uma revista de viagens. A ver...
O final brega foi censurado e será substituido


Moinhos de vento?
Sempre tive uma imagem de que a Holanda era um país liberal onde as pessoas faziam o que bem entendiam sem que ninguém se importasse. Tinha curiosidade de saber como seria viver em um lugar desses. Tinha curiosidade de saber como eu me sentiria ai, sem tantos tabus. Ouvia dizer também que contraditoriamente, entre tantas idéias inovadoras ou corajosas, vivia ali um povo muito conservador e racista. Encontrei companhia e fui caminhar por lá.

Respeito à diferença: Viver e deixar viver
Chegamos em Amsterdam com sua atmosfera super liberal, com seus coffee shops e suas putas “em vitrines”. Duas referências do país e provavelmente reponsáveis pela maior parte dos turistas que chegam em Amsterdam querendo sentar num bar e escolher no menu qual a procedencia da sua maconha ou querendo experimentar a sensaçao de se sentir atraido por uma mulher nua na rua e poder entrar e pagar sem constrangimentos.
Além dos turistas a vida nesses lugares é bastante “normal”. Talvez estivessem pelo distrito vermelho um ou outro senhor para encontrar suas acompanhantes de muitos anos, algum grupinho de amigos pra perder a virgindade, mas também estavam passeando pelo bairro casais, crianças e aposentados que deviam morar por perto. Talvez houvesse nos coffee shops um ou outro universitário comprando seu haxixe semanal, exatamente como no Brasil, ou na Espanha. Mas também o amigo do dono tomando um café depois do serviço.
A vida nao é tao diferente, as pessoas nao sao tao diferentes. Só nao estao tao preocupados, como a gente, em esconder algumas sombras. Estao acostumados e convivem com essa realidade abertamente, e já nem consomem, já que o que nao é mais proibido deixa de ser tao gostoso e se pode ver o que há de bom e o que há de ruim na prostituiçao e nas drogas que sao proibidas por aqui. No caso do aborto, por exemplo, alí é permitido e se pratica 10 vezes menos do que na América Latina onde é proibido na maioria dos casos.
Nao se trata de poder fazer tudo. Os coffee shops exigem documentaçao, só vendem para maiores de idade e nao se pode consumir nada nas ruas e nos espaços públicos. Ou no local ou em casa. É tudo regulamentado pelo estado e sem tanta hipocrisia ao redor. Ninguem vai passar mal porque misturaram alguma outra substância desconhecida no beque. Um problema social talvez, como alcool ou tabaco, que deve gerar gastos de saúde pública que sao pagos pelos impostos de todos.A prostituiçao fica reservada a uma zona de Amsterdam e é uma profissao, ou seja, elas pagam a seguridade social, sao empregadas legalmente e podem ter uma vida um pouco mais digna. Talvez existam agenciadores – os cafetoes – mas nao podem fazer o que bem entenderem com as mulheres, humilhando e maltrantando e escravizando como acontece onde é ilegal. Além disso, me deu a sensaçao de que elas podem escolher se querem ir ou nao com quem chega por ai.
O respeito às diferenças é sentido também no caso da orientaçao sexual. Passamos por diversos edificios com a bandeira do arco-iris, hotéis, lanchonetes e lojas de roupa e nenhuma era exclusiva para o público gay. Acho que era uma questao de poder falar abertamente de quem voce é e partir daí, quem quisesse entrar que se sentisse à vontade. Os imigrantes também estao mais integrados à sociedade, falam a língua e trabalham, nao como em outros países europeus onde estao chegando ilegais e invisiveis para viver em guetos.
Enfim, existe um clima de que voce pode fazer o que bem entender na cidade. E isso, contrariando as minhas expectativas, nao cria uma atmosfera hippie, alegre ou colorida. As pessoas estao ali, fugindo da chuva (em Amsterdam e em toda Holanda chove quase todos os dias), alguns mal humorados, todos com suas bicicletas, vivendo e deixando viver.

Bicicletas e charmosos canais
É impressionante a quantidade de gente que anda de bicicleta. O país é todo plano, o que facilita bastante a coisa. É bicicleta por todos os lados, em cidades grandes e pequenas, algumas sao deixadas na rua sem cadeado, outras em estacionamentos dignos dos shopings paulistanos, tres ou quatro andares só de bicicletas. Sao crianças indo para o colégio, adolescentes de madrugada voltando das festas, idosos fazendo compras, executivos engravatados indo ao trabalho, familias inteiras. O código de transito é especial, com sinalizaçoes de braço para mudar de pista, virar para a direita... Eles têm biciletas de 2, 3 pessoas, bicicletas para entregas, para carregamentos mais pesados, para ir com recém nascidos, “para ensinar a criança desde cedo”. Existem vias exclusivas em todas ruas e avenidas e rodovias, espaço especial para viajar com elas no trem.
Para entrar no clima, no segundo dia alugamos bicicletas e fomos fazer umas trilhas por parques naturais. O país é bem pequeno, menor que o Estado do Rio de Janeiro e em três horas chegamos no Mar do Norte, que é bem mais feio do que imaginávamos. Existem trilhas bem demarcadas e parece que é possível conhecer toda a Holanda pedalando em poucos dias.
Nos outros dias passeamos por cidadezinhas cheias de canais e bicicletas e mulheres loiras, que estao em forma, ao contrário da imagem que tínhamos de senhoras gordinhas e coradas de lenço na cabeça e tamancos nos pés. As cidades sao um pouco parecidas entre si, estilo medieval, umas mais preservadas e charmosas do que outras. E sem tanta influência romana como é o caso de Espanha, Portugal, França, Itália e América Latina, ou seja, vale a pena ver como sao organizadas espacialmente.
Algo curioso é que eles quase nao tem praças, quase nao existem esses espaços ao ar livre - a única coisa que eu vi foi uma feira. As pessoas passam seu tempo livre ou em casa, ou em restaurantes, bares, discotecas, talvez para fugir do frio e da chuva. É de se perguntar se essas caracteristicas climáticas tem alguma influência sobre como o povo se relaciona entre si, como quando dizem que nos países tropicais as pessoas sao mais alegres e simpáticas.
Fomos também até Rotterdam, que tem mais cara de cidade de verdade, sem tantas bicicletas, pessoas com pressa, negócios. Acho que é a única cidade por ali com cara de moderna, já que depois de ser inteiramente destruida durante a segunda guerra, optaram pela criaçao de outros edificios e nao pela restauraçao do que havia.
Se esse texto servir para os leitores como incentivo para conhecer os Países Baixos sugiro, além da óbvia Amsterdam, Alkmaar, de onde saímos para a trilha e de onde saem várias trilhas muito bem sinalizadas, e Delft, uma pequena e muy agradável cidadezinha medieval.

O prazer de viajar
O objetivo dessa viagem e desse texto era pensar sobre as diferenças que existem entre o meu jeito de ser e o dos holandeses, nossas realidades, nossas visoes de mundo, e acho que consegui pensar em muitas coisas. Mas tudo o que está escrito acima nao é imparcial, nem definitivo nem absoluto. Nada mais é que uma experiência de viagem, um diário daquilo que me marcou quando deixei meu lugar de sempre e decidi ir ao encontro de algo que nao me é familiar, quando decidi me abrir à possibilidade de ser tocado por uma realidade que nao é a minha. E essa decisao nao ajuda somente a conhecer outras culturas, cidades ou países, me ajuda a conhecer a mim mesmo, a como vivo a minha vida e, além disso, a pensar como posso vivê-la. Ao sair de onde moro tenho melhores condiçoes de perceber como moro. É fantástico. Que sirva de convite à viagens!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Confissao em forma de resposta

Em Sao Paulo estao todos os filmes que se podem ver, ou quase. A internet nos poe em contato com toda a informaçao disponivel no mundo. Telefonar é barato. Viajar por todo o mundo já possível para quem trabalha. (Quando estou prestes a entrar em um vôo, tenho a sensaçao de que a distancia é maior entre a mesa do check-in e o aviao, quando tenho que andar, do que entre uma cidade e outra, quando estou sentado). Podemos estar em qualquer lugar a qualquer momento e no fim das contas nao conseguimos estar presentes onde estamos. Sempre falta, sempre pode ser mais, sempre pode ser outra coisa.
Diante de tantas possibilidades, diante de tantas promessas e projetos que estao aí prontas para serem consumidas, prontas para levar, nao consumimos e nao levamos.
É como se estivessemos em um grande restaurante self service: Se paga caro e nao se sabe quando teremos outra oportunidade, nao aguentamos comer de tudo, nunca temos certeza de como começamos, se sobrará espaço para a sobremesa; se nos decidimos por fazer uma refeiçao equilibrada e limitada sempre fica uma curiosidade de como estava o quiche de abobrinha, a feijoada, se aquilo que escolhemos realmente está bem preparado e saboroso aquele dia. Isso sem falar que sempre passamos mal depois de tanto comer.
As pessoas que vivem contentes de arroz e feijao nos assustam. Estao aí, cada dia com o mesmo, sem se preocuparem em explorar a riqueza dos sabores possíveis. Algumas, ainda por cima, simplesmente sobrevivem, se é com arroz e feijao está bom, se nao da-se um jeito, e esperam as chuvas do inverno quando faz calor, a seca do verao quando chega o inverno, as chuvas de inverno quando chega o verao... Estejam como estiverem as paredes da casa, o preço das batatas, o Presidente da República, a filha da vizinha. Como insetos que, diante de um predador, se concentram em passar despercebidos, em respirar imóveis.
Quem sabe o desespero que sentimos nao é pela falta de horizonte dessas pessoas, mas por saber que basta um sorriso ou um estender de maos para que elas saiam de seu estado de dormência. Por isso desenham tao colorido, por isso nos veem tao bonitos. Basta estar ali também para que se deparem com a falta de opçoes, com a crueldade, com a crueza. O desespero pode ser por saber que se há para essas pessoas algo além das estaçoes do ano regados a arroz e feijao e farinha nao será fácil de encontrar e conquistar e será muito dificil de manter, e que nao podemos fazer isso por elas e nao sabemos se elas sao capazes.
Sem esforço a vida é miserável. E parece que contentar-se com o que existe é deixar de viver em plenitude. Mas nao haveria, também entre essas pessoas, desejo de sexo, de cidade, de rede, de lago? Os sonhos podem ser miseráveis, insuficientes? E os nossos? Essas pessoas e suas vidas nao poderiam ser entendidas como um retrato exagerado da nossa própria miséria? Nao seríamos nós mesmos pobres espíritos presos em um cotidiano mais ou menos complexo, alimentando-nos de sonhos mais ou menos grandes e distantes?
Acontece que, por sorte ou azar, talvez já nao nos baste um jardim florido, uma sessao de cinema. Fomos arrancados dos lugares que estavam marcados e vagamos procurando sentido, com medo de estancar, com medo de perder o tempo, a vida. Com medo de nao perceber nossas tantas imperfeiçoes. Com medo de nossas tantas imperfeiçoes

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

"E a verdade é que essa estranha vontade que eu tinha quando pequeno - a de dar uma segunda chance ao que não tem nem vai ter segunda chance - é uma das coisas que impelem a minha mão também agora - toda vez que me sento para escrever uma história."
Amoz Oz
cedido sem permissao pela Carol
parece com os motivos pelos quais escrevo e fotografo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Mais Reflexoes diarreicas, ou seja, apressadas e pouco cuidadas: O Marrocos

Nao gostei muito daqui e nao sei explicar direito o porque, mas tem muitos fatores:
Eu to em pacote turistico e sao 5 minutos por atracao turistica, por ponto de interesse, pra tirar a foto daquele lugar que fica melhor, fazemos uma fila, cada um tira sua foto e simbora. Me puxaram pelo braco do bairro dos curtidores de couro porque eu tava de,orando muito e a gente tinha que ir pruma loja de tapete. E vamos nosotros pra comprar alguma coisa, ai temos todo o tempo do mundo, nos explicam direitinho, nos oferecem chazinho.
As coisas parecem artificiais, mas acho que nao soh pelo pacote. Os exteriores por aqui sao feios, o interessante seriam os interiores, como a casa ou o palacio eh decorado interiormente, os jardins, os mosaicos, os adornos. Eh uma experiencia estetica feia, nao sei, nao rende fotos.
Eh um pais muculmano, nao dos mais radicais, mas ainda assim nos cafes e bares soh estao os homens e muitas mulheres andam com o rosto coberto, com o olhar baixo, envergonhadas de serem assim, mulheres.
Eh um pais muito desigual, com pessoas muito pobres e um rei cercado, claro, de mordomias. Eh mais barato por aqui ter uma duzia de peoes cortando marmore com uma pica do que comprar uma maquina, tem 3 pessoas por caixa de supermercado porque nao tem onde empregar as pessoas aue saem barato demais e tudo custa em euro como se fossem cidades europeias e as pessoas estao saindo das cidades, indo para as periferias, para o campo, sonhando em pegar um barco pra espanha ou pra franca.
Talvez me pareca que minha presenca aqui eh um capricho meu, totalmente fora de questao, eles tem outros problemas pra resolver, mas ninguem vai resolver nada. Sou um homem que nao eh tratado como um homem, a mulher que esta comigo nao eh tratada como uma mulher. Sou tratado como um alguem que nao pertence, mas que precisa ser tratado com o maximo de cuidado porque traz dinheiro, sou o patrao que tem as botas lambidas enquanto me tentam passar a perna

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Avaliaçao

Um certo incomodo começando, nao pela baboseira natalina. O ano terminando, o que leva a uma avaliaçao, quado acaba tem que se pensar no que se fez esse tempo. E sou bem sério nesse aspecto, exigente. Essas avaliaçoes garantem que eu viva de verdade, que nao me deixe levar por coisas que eu nao valorizo, que nao me esqueça do que eu quero no meio do caminho,
que eu nao perca de vista as coisas que eu quero alcançar com o tempo. Panico de ser mediocre e passar pela vida sem fazer diferença, marcar

Enfim, para ter mais presente o passado e o futuro. Faço os planos de começo de ano, assim posso ver o que eu queria un ano atrás, como diria a Anna faço um testamento do ano, quando ele morre eu abro o seu testamento para ver o que ele me deixou

07/12/2007

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Adoro cagar em banheiros públicos

Sempre que isso acontece, é porque de certa forma eu tava muito precisado. E sempre me deparo auditivamente com gente que esta mais na merda que eu. Sempre

Coloquei umas fotos novas no Flickr

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Escrevo quando nao consigo viver direito

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Cabeça que nao consegue parar

Estaba mirando un anuncio de libros fotograficos que la tienda fotoprix hace, se puede poner fotos antiguas, textos, etc y he pensado en:

Hacer un trabajo de memoria de la residencia, de los usuarios y de los trabajadores con fotos y textos

El que se haria
- Hacer fotos de todos para el libro
- Descubrir las fotos antiguas (hay muchas) para poner tambien
- Historia personal de los usuarios a partir de unas preguntas, hablando con ellos y con los monitores mas viejos y los que trabajaran en las colonias, documentos, talleres y PRODIS
- História de la residencia y de PRODIS talvez, algo que venga de los chefes y algo que venga de la experiência de los trabajadores y usuarios

Justificacion
- Organizacion de una historia que ya tiene más de 20 años en un solo lugar
- Aproxiamacion entre los trabajadores nuevos y antiguos, entre usuarios y entre usuarios y trabajadores.
- Apresentacion de la residencia para quien llega y para los donadores de PRODIS
- Efecto terapeutico con los usuarios por poderen acuerdar la história y despues verla concretamente con textos y fotos.
- Caracter mas humanizado (existe eso? quiero dicer que los usuarios y las tareas estaran mas fuertemente relacionadas con personas que tienen historias)
- Reconocimiento a quien esta a más tiempo trabajando
- Piensar el trabajo y las mudanzas con el tiempo y reflexionar sobre eso

Questiones posibles
Usuarios
- Como era le residencia cuando llegaste aqui?
- Como era el cotidiano aqui? Como era tu dia?
- Que ha cambiado des de el principio hasta ahora?
- Ententar descubrir historias, anedotas
Trabajadores
- Como era laresidencia cuando llegaste aqui?
- Como era un dia comun de trabajo?
- Quales usuarios ya estaban aqui? Como eran?
- Los que veniran despues, como eran en el principio?
- Ha cambiado su manera de trabajar?

Problemas posibles
- Los usuarios inventaren, no se acuerdaren, no conseguiren hablar.

Cronograma
- Elaboracion y discusion del projecto entre los monitores y hacer fotos (mes 1)
- Entrevista con los usuarios y hacer fotos (mes 2)
- Entrevistas con los monitores y hacer fotos (mes 3)
- Organizar documentos que puedan interesar, fotos antiguas y hablar con personas externas (PRODIS, taller) (mes 4 y 5)
- Organizar el material (mes 5)
- Apresentacion de una proposta, discusion y evaluacion del proceso

Tengo en Brasil profesores y amigos que trabajan con memoria que pueden ayudarme
Pensé en 8 horas por semana aproximadamente

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Notas soltas sobre o Brasil

Ontem começou o Outono e já esfriou um tanto.
As estaçoes no Brasil sao importadas.


Certeza que quando eu voltar pra Sao Paulo eu vou ser atropelado, malditos motoristas que ficam parando na faixa de pedestre

sábado, 15 de setembro de 2007

Viajante e turista

- Somos viajantes, não turistas.
- Qual a diferença?
- O turista pensa em voltar para casa assim que chega.
- E o viajante pode nem voltar...

(O céu que nos protege, Bertolucci)

Como o cartografo e o geógrafo, o viajante e o turista se diferenciam: "a medida que viaja, o viajante se desenraíza, solta, liberta. Pode lançar-se pelos caminhos e pela imaginação, atravessar fronteiras e dissolver barreiras, inventar diferenças e imaginar similaridades" Octavio Ianni.

"O viajante, de uma forma geral, é movido primeiramente por um sentimento de liberdade, de vontade, do desejo de ir em busca do dessemelhante, onde a “experiência da viagem permite fremir o eu excitado pelos novos panoramas e [pelos] novos contatos” (FERRARA, 1999: 19)".



Reflexões do LEFE, copiadas da net pela Carol, lembrando de mim :)

Hay que endurecer, pero pero sin perder la ternura jamás

(Bonus track do terceiro dia)





Eu já tinha trabalhado com pessoas que me davam medo e pareciam perigosas, com pessoas que me manipulavam e que faziam com que eu me sentisse sendo usado, com pessoas que eram muito dificeis de se entender que confirmavam a sensaçao sempre presente de que qualquer comunicaçao é impossível. Mas nao me lembro de ter enfrentado pessoas que nao quisessem. Que nao quisessem a minha presença, que nao quisessem o que eu tava oferecendo. Acho que sempre fiz bastante questao de tensionar nesse ponto até achar uma motivaçao que nao estivesse clara ou até que a relaçao terapeutica/tratamento deixasse de ser feito. "Se nao estao fazendo proveito do que eu estou oferecendo, que nao venham mais". Acontece que lá tem várias pessoas que nao querem fazer o que eu estou "propondo". E foda-se, eu tenho que fazer mesmo assim. Além do que, eu tenho que dar banho, colocar pra dormir, dar de comer. Nao dá pra esperar o tempo subjetivo, nao dá para deixar para a próxima sessao. É uma questao de sobrevivência, um trabalho que precisa ser feito e que enquanto nao é, atrasa toda a equipe, o funcionamento da casa, o bem estar do coletivo...


Fui fazer a higiene em uma, nao queria me abrir a porta do banheiro, precisei da intervençao da minha tutora, fui tentar com outra, nao quis, queria uma mulher pedi pra uma outra monitora fazer pra mim, fui tentar tirar um da cozinha precisei da ajuda de um cara que eu nunca tinha visto que só na conversa fez com que ele saísse, tinha que fazer a higiene de uma terceira, tentei fazer com que fosse para o banheiro duas vezes e nada, ai uma outra monitora chamou ela com a firmeza necessária e ela veio. Hahahahaha, mais incompetente impossível. Me senti um completo idiota.


E o que passa é que as pessoas com quem estou trabalhando conseguem ser duras e carinhosas ao mesmo tempo, muito mais carinhosas do que eu e conseguem todas as coisas simples que eu precisaria conseguir. Talvez eu precise entender melhor as razoes do que eu preciso fazer para ser mais duro, mais firme, já que estaria mais tranquilo em relaçao ao que precisa ser cobrado. Queria também ganhar a confiança das pessoas e ainda nao sei como fazer isso, saber como lidar com cada um, mas isso talvez seja muito distante de uma realidade tao esquizofrênica, muito sonho neurótico, enfim...











Será que eu preciso de supervisao? Quem poderá me ajudar?

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Insight?

De repente me ocorreu que o sentimento de dependencia e a sua aceitaçao podem ser a origem do afeto e do carinho.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Quando voce estah sozinho, com ninguem nem nada alem de si mesmo, as vezes se frustra por depender muito de um determinado acontecimento, ou por esperar muito que ele aconteça. Ok, eu, quando sozinho, crio maiores expectativas e me frustro com mais frequencia. Talvez seja porque nao se pode refugiar no cotidiano de sempre quando algo dah errado, nao existe qualquer coisa que se pareça com uma vida estruturada para onde se voltar, para se acalmar longe das correntezas e rodamoinhos, roda mundo, roda gigante. E na verdade soh resta voce mesmo para pedir ajuda, para se apoiar, para confiar. Mas e se voce estah perdido e tentando se encontrar?

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Minha postura corporal tem se desenvolvido para aquilo que talvez seja o biotipo do mochileiro
Mancando por causa das bolhas da sandalia
De perna meio aberta, em parte pelo cansaço, em parte por estar meio assado
Braços bicolores na altura da manga por conta do sol
Olheiras porque o sol se poe as 9 da noite e nunca se consegue dormir cedo
Corcunda pela companheira mochila que nunca abandona
Pescoço projetado pra frente por causa das alças da carteira e da maquina fotografica
Magro pela pessima alimentaçao, barrigudo de tanto se empanturrar de chocolate

Enfim, o verdadeiro latin lover

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07/2007 Peru

... Quando, depois, fui pensar sobre para quem iria levar uma lembrança, vi que eram poucos, tinham me restado poucos amigos sem a faculdade; quase todos sao do cursinho, e isso dah um desespero... Aquela que poderia ser definida como uma das possibilidades de relaçao mais forte e sem tantos sentimentos negativos ao redor (como por exemplo uma relaçao amorosa); A amizade eh tao fragil, tao dependente do tempo passado junto e da dedicaçao que se tem. Sem mais nem menos, as pessoas vao saindo das nossas vidas, deixando de ser importantes, deixando de existir... Dificil. Valeria a pena investir e acreditar nas amizades? Ou soh deixar que elas aconteçam do modo como acontecerem? Ou tentar com mais afinco preservar aqueles amigos mais antigos? Ou investir em si proprio e saber que, caso existam amigos, em algum momento eles vao deixar de existir? Ou essas questoes estao completamente fora do nosso alcance e da nossa vontade? Que caralho de vida eu quero pra mim?

Jah sei, vou entrevistar as pessoas que eu conheço pra saber o que fizeram ou estao fazendo das suas vidas...

domingo, 19 de agosto de 2007

question

Por que tem uma porrada de gente entrando no blog e nem pra ter a decencia de deixar um oi to com saudades?

segunda-feira, 30 de julho de 2007

O horror, o horror

Parem de ler Blogs, peloamordedeus...

FOLHA - O sr. também vê um resquício da cultura hippie na web 2.0?
KEEN - Há um legado hippie na filosofia libertária da blogosfera, no desprezo à autoridade, à mídia tradicional. Acho que a autoridade do Estado, da mídia, são coisas que devemos prezar, porque têm valores significantes que, se minados, criariam a anarquia. A rejeição da autoridade vista nos blogs não é progressista, é anarquista.

FOLHA - Mas o sr. é contra experiências como o Creative Commons [sistema de licenciamento de obras artísticas pela internet]?
KEEN - Acho que é um movimento que inclui moderados e radicais. Eu o respeito, mas temo que ele esteja desvalorizando a credibilidade da propriedade intelectual. Acho que a idéia funciona quando você é um sofisticado professor de direito como Larry Lessig [criador do Creative Commons], mas me preocupa que as pessoas se apóiem em um conceito como o que ele criou para roubar idéias alheias, me inquieta essa permissividade geral em relação aos direitos autorais, em especial entre os jovens.

FOLHA - É isso que causa o que o sr. chama de "assalto à economia"?
KEEN - Talvez eu tenha estabelecido, no livro, muita causalidade entre a ascensão da nova mídia e o declínio da tradicional. As novas mídias são uma das causas do declínio, mas a indústria de música, os estúdios de Hollywood, os grandes jornais e TVs têm outros problemas. Dito isso, acho que deveríamos prezar pela existência de mídia tradicional.

FOLHA - Mas não é apenas a falta de adaptação às novas tecnologias que prejudica a mídia tradicional?
KEEN - Não me oponho à tecnologia, entendo que ela sempre muda tudo e que temos que mudar com ela. Mas nem todo avanço tecnológico é bom e, em algumas circunstâncias, pode ser bom gerenciar ou conter as mudanças tecnológicas, se elas minam a sociedade. A Escola de Frankfurt se mostrou correta, emburrecemos nossa cultura e me preocupa que a internet continue fazendo isso, acabando com nossa vitalidade cívica e com a economia do entretenimento e da informação.

FOLHA - Por que a "democratização da internet" é falaciosa?
KEEN - Porque há novos oligopólios anônimos na rede, nos jogos on-line, nos pequenos grupos de ativistas que editam a Wikipedia, nos poucos blogueiros que dominam a maior parte dos acessos entre os 70 milhões de blogs. Não vejo como a web 2.0 está democratizando a mídia, acho que acontece o oposto: a mídia tradicional fornece informação de qualidade acessível às massas e não acho que a segunda geração da web esteja reproduzindo isso.