Nao sei porque ainda estava com isso por aqui. Vou compartilhar, caso alguém ainda leia este blog...
E como gran finale o diário inteiro da Viagem pra Argentina e Chile de 2005. Achei que tinha a ver com o momento... Agora faltam ainda o diário da vivência do MST e uns textos soltos por uns cadernos soltos pra completar as obras. Esses textos são em grande medida quase textos, pouco desenvolvidos, idéias soltas, personagens. Mas dificilmente alguém terá paciência de ler...
Roteiro Provisório 1
19/07 Saída para Foz
20/07 Chegada em Foz, Saída para Santa Fé
21/07 Chegada em Santa Fé, Saída para Mendoza
22/07 Chegada em Mendoza, Saída para Santiago
23/07 Santiago
24/07 Santiago e Viña
25/07 Viña e Valparaíso
26/07 Viña e Valparaíso, Saída para Mendoza
27/07 Chegada em Mendoza, Saída para Córdoba
28/07 Chegada em Córdoba, Saída para Buenos Aires
29/07 Chegada em Buenos Aires
30/07 Buenos Aires
31/07 Buenos Aires
01/08 Buenos Aires, Saída para e Chegada em Montevidéo (barco)
02/08 Montevidéo, Saída para Floripa
03/08 Chegada em Floripa, Saída para São Paulo
04/08 FIM
Frases e Cenas e Brindes
Seu último compromisso antes de poder se dedicar e entrar de cabeça e sumir.
Era um desprezo contido e silencioso, travestido de simpatia
Só é possível se conhecer bem quando se conhece pouco. O tempo escasso é o que permite convicções e afirmações absolutas sobre qualquer coisa. Quanto mais se conhece, mais inseguras e imprecisas ficam nossas informações
Geladeira no quarto e maquina de lavar na pia da cozinha
Faz frio. Um senhor no bar, atendendo. Sempre que a porta é aberta, para o que está fazendo, como se se concentrando ou de tanto insistir o olhar quem abriu ou a porta por si voltasse ao lugar, bloqueando o ar e a passagem. O cliente espera para continuar o pedido.
Te lo meto por arriba
Te lo meto por abajo
Te lo meto pelo centro
E adentro
Nunca sobre ti
Nunca bajo tuyo
Sempre ao lado tuyo
Amigo mio
Dia 20
Chegamos em Foz. Decidimos fazer a viagem sem pernoites. Várias viagens, várias cidades. Hotel só em Buenos Aires (vide roteiro). Não sei se agüentaremos. Chegamos às 6 da matina, ótima idéia mesmo, tudo fechado. No ônibus para Foz, fronteira com Paraguai todo mundo se conhecia. Nem com o comentário que só a gente no ônibus estava fazendo turismo e com as outras pessoas sendo espalhafatosas como sacoleiros eu entendi. É bom ser ingênuo. Restam agora dúvidas: ir para o lado argentino, comprar passagem lá, ver as cataratas daqui, deixar as mochilas na rodoviária, sei lá. Dúvidas cruéis de quem não tem mais com o que se preocupar. Férias. Boas conversas tidas e prometidas. Tempo para se relacionar com as pessoas...
Uma mulher de 20 anos com quatro filhos. Ainda não tinha tudo o que queria como fogão, geladeira ou comida para a semana, mas tinha o que precisava: Uma tv, um celular, um sonho e muita determinação. Ligou para Ana Maria Braga, conseguiu falar, conseguiu jogar. Curiosamente, trocou o aparelho de DVD e o Grill que ganhara no quis por 1500 reais. Com 600 comprou a casa em que morava (por 20 reais ao mês) e ganhou da Globo uma tv colorida. Da apresentadora, uma cama de casal nova para toda a família (a que os 6 dormiam anteriormente já não estava mais em condições).
Estabelecendo prioridades e sabendo o que é essencial (como tv e celular) tudo é possível. Somos do tamanho de nossos sonhos. Sorte nossa possuirmos uma rede de televisão generosa e consciente de seu papel, divulgando tais exemplos.
Dia 21
Estamos cercados de argentinos mal humorados se espremendo no corredor, em pé, no ônibus para uma viagem que, pelo que se espera, vai durar 20 horas. O ar condicionado já não dá mais conta, esquenta. Devem ser 15 ou 20 felizardos, não vejo todos, o ônibus tem dois andares. Parece pau de arara essa viagem de 90 paus.
Trambiqueiros! Nossa passagem era duplicada, foi um rolo, sentamos em um lugar pior. “Mais adiante vocês trocam de lugar”. Era a única empresa que tinha para hoje Santa Fé, nas outras só dali a três dias. Coincidência não? Pelo menos estamos sentados e os argentinos mal humorados podem ser vistos como curiosidade ou bizarrice da viagem. Não somos nós. Outra curiosidade é que chove lama na janela. Não conseguiria explicar.
Já tivemos que mudar de planos mas nem tanto. Pernoitamos em Puerto Iguazú (lado argentino de Foz), mudamos de país três vezes para ver as cataratas do lado brasileiro, tomei um litro de Quilmes, a cerveja preferida dos argentinos e comi empanadas a um peso, que são uma espécie de salgado misturado com pastel. Procuramos baladas em vão.
Quase cancelamos a viagem por uma dormência parcial de boca causada por inchaço que lembrava uma picada e acarretava mal humor. Mas foi só o susto.
São 19 os excedentes, embalados agora por um choro de criança. Contei porque tiveram que descer na batida policial.
O policial me mandou calçar a bota. Devo ter feito cara de quem não entendeu porra nenhuma e depois de ouvi-lo repetir com todos os sinônimos possíveis ainda completei: Agora? Si, Ahora! Será que teria de descer? Decidi me fazer de desentendido ainda mais, ele seguiu conferindo documentos e malas cheias de pertences pessoais e presentes. Deveria ter discursado sobre a falta de sentido de algumas regras, sobre o abuso de autoridade. De que adiantaria falar sobre o excesso de pessoas como ele em certas profissões como polícia e serviço público para uma pessoa como ele? Só mais uma revolta silenciosa para arquivar na pagininha da Internet. Qual a mudança produzida em policiais ou leitores?
No momento existe uma única lâmpada acesa, justamente sobre a minha cabeça. Como se a realidade estivesse especialmente irônica, brincando de metáforas. Como se estivesse prestes a escrever algo genial. Sabemos que não será muito mais do que isso que agora apresento, apesar dos sonhos e pretensões. Rubem Alves diz que a emoção procura a inteligência porque deseja ser eficaz para realizar o sonho. Quem sabe...
Dia 22
Santa Fé... Diz a Luana que deve ser uma cidade muito religiosa. Não sei se os nomes continuam tão ligados aos seus significados.
No ônibus perdemos o dia inteiro mas estavam inclusos almoço lanche e janta. Estilo avião. Cabe imaginar a qualidade, lembrando que era ônibus e era de trambiqueiro. Com o passar da viagem ônibus ia se transformando com água e soda se agarrando aos restos e sapatos pelo chão.
Pelo menos vimos um filme sobre o espírito natalino com Bem Affleck. Um publicitário rico decide alugar a família que está morando na casa em que viveu a infância por 250.000 dólares. Ele os obriga a atuarem como sua família. O pai compra um carro, a mãe faz um ensaio fotográfico sexy e ambos recuperam a auto estima e o amor pela vida e um pelo outro. Ele obriga a irmã a sair para esquiar, tomam um tombo, quase se beijam, mas interrompem quando ela espirra na cara dele. Ele contrata então várias pessoas para fazerem uma surpresa para ela, mas ela acha um absurdo, como se ele tivesse querendo comprá-la e sai, puta da vida. Volta para pedir desculpas, afinal, tinha exagerado na reação. Isso bem no momento que a namorada chega para conhecer a suposta família. A menina, como irmã, começa a detonar a namorada de forma bem baixo nível, fazendo com que ele se apaixone e decida ficar com ela (a irmã). Muito bonito o filme, vale a pena pela mensagem de natal.
Chegamos aqui 4:30. Estamos tomando caféem um lugar estranho que se pretende refinado com porções de proporções francesas, mas artificial, industrializado. Estou sentado de frente para um grupo tomando cerveja. Às 5:20.
A garçonete é quase bonita. Ou já foi. Alta, descuidada, piercing, cabelo com luzes, polchete. Queria perguntar se ela gosta de Santa Fé. Chama a atenção, mas é desinteressante, caída, sem chama. Tem entre 18 e 30 anos. A cidade fez isso com ela? A profissão? Isso o que? Talvez seja casada com o dono do café. Perguntei se chamava cuchara, ela devolveu a pergunta. Colher. A palavra caiu, aplacando seu interesse muito contido ou falso.
Esperamos amanhecer para conhecer essa cidade sem grandes promessas. Uma cidade de meio de caminho. É, na verdade, a única que pode nos surpreender.
Discussão entre Rubens, de mãos molhadas no frio congelante, e o guardinha d'el baño, detentor d'el papel
(traduzido para portunhol para facilitar a compreensão).
-Que quieres?
-Papel
-Quieres contribuir?
-No tengo
-Si no hay contribuición, no hay papel.
Me senti na Paulista conversando com um Hare Khrishna
Passamos por uma senhora na frente de uma igreja que nos olhou como se estivéssemos profanando. Pensei logo que na verdade idealizamos e sacralizamos tudo em nossa volta através dos olhos do estranhamento, de quem não está imerso no cotidiano que nos cega para as pequenas belezas e descobertas. Não é nada disso. Invadimos espaços alheios regidos por leis que nos são invisíveis, violamos seus gestos e silêncios e exclamações como se fossem, suas vidas e casas e ruas, souvenires à nossa disposição, em exposição para o sempre curto tempo de estadia. Museus de cera e maquetes a serem comentados, apalpados.
Dia 23
Passamos mais uma hora conectados a internet. Aproveitando a viagem para continuar ligados ao mundo do mesmo jeito que em São Paulo. Distante e virtualmente. Passamos por outra fronteira e o maior controle que se fazia era com relação à frutas. Um puta esquema de segurança. Cópia dos EUA, o maior problema do Chile é com maçãs e bananas.
Cada vez mais longe de casa, tivemos já algumas discussões e caras feias mútuas. De se esperar. Quem não discute nem discorda deve ter algum problema muito sério...
Por mais longe que se vá (alguém disse não me recordo quem), sempre se está consigo. Não há como fugir disso. Estamos em dois com vários momentos de silêncio e de ensimesmamento. Queremos fugir de elementos que estão muito presentes, que nos são. Temos paisagens e filmes de ônibus e internet para tentar aliviar um pouco. Um tentando divagar para escapar ao próprio tédio, outro tentando descrever para ordenar, planejar o próximo, escapar a toda confusão...
Completamos 72 horas sem banho. Até eu que não sou o mais limpinho do mundo já começava a ficar apreensivo. Muita gente faz ou fazia isso. É estranho. Muito tempo sem olhar para o próprio corpo.
Absolutamente sem idéias no momento. Depois preciso fazer um levantamento de quantas palavras se repetiram e quantas vezes...
Rever amigos, ver neve, experimentar tacos, desistir da balada porque não agüenta e deitar na cama de ciroulas para amanhã pular da cama. Deprê...
Santiago me lembrou São Paulo. Ficar atento a todo momento para não te passarem a perna. Não é passeio, é conhecer para ir embora.
Dia 24
Notas curtas de um rapaz com sono:
Acordar com a luz do sol, aos poucos, e os bocejos produzirem a famosa fumacinha
Pablo Neruda: casa linda e história sensacional de alguém com muita grana. Assim é fácil ser comunista.
Cidade muito desigual e nitidamente dividida, entre pobres ao sul, classe média no centro, ricos ao norte e muito ricos mais ao norte. Diferença de limpeza, iluminação, qualidade do asfalto, etc
Comidas diferentes, Paila Marina (sopa) e Ceviche (peixe cozido no limão). Possibilidade de provarmos qualquer coisa diferente durante a viagem. Outras formas de ver, comer, ser. Ninguém nos conhece, não precisamos nos repetir para provarmos ser nós mesmos.
Qualquer casal se encostando está me deixando louco (como o do metrô). Necessidades biológicas básicas não satisfeitas.
Dia 25
Por aqui, o escândalo da mídia da vez é de uma televisiva cuja amiga declarou que era amante. Estão explorando por todos os meios e um deles era uma rádio propondo a discussão: a orientação sexual no Chile é algo que pode ser abertamente discutido? Entre opiniões de ouvintes distantes e próximos achando que era um retrocesso, acabei lembrando de alguns amigos e conversas nacionais e me dei conta que isso não é feito em grandes escalas no Brasil. Ou quando é, se evolui para considerações que, eu diria, são mais ponderadas. Foi outro exemplo do poder da mídia, ainda não me acostumei. A menina propôs e a discussão se desenvolveu al tiro como dizem por aqui, bem na minha frente, todos ligando...
Roteiro Provisório 2
19/07 Saída para Foz
20/07 Chegada em Foz
21/07 Saída de Foz
22/07 Chegada em Santa Fé, Saída para Mendoza
23/07 Chegada em Mendoza, Saída para Santiago, Chegada em Santiago
24/07 Santiago
25/07 Santiago e Viña
26/07 Viña e Valparaíso,
27/07 Saída para Mendoza, Chegada em Mendoza
28/07 Saída para Buenos Aires
29/07 Chegada em Buenos Aires
30/07 Buenos Aires
31/07 Buenos Aires
01/08 Buenos Aires, Saída para Montevidéu e Chegada em Montevidéo (barco)
02/08 Saída para Floripa
03/08 Chegada em Floripa, Saída para São Paulo
04/08 FIM
Então, quando parecia que nada mais fazia sentido em nossa vida e que o sistema bancário só existia para nos fuder, chegamos no Chile. Afinal de contas eles têm o primeiro banco que nos quer feliz e a Psicologia nos garante encontrar a paz interior. Muito melhor que no Brasil. Pelo menos é o que dizem os anúncios. Teremos que mudar para Santiago.
É pela diferença que formamos nossa identidade. Isso diz alguém da Esquizoanálise e faz realmente muito sentido. É no encontro com aquilo que nos é estranho que sabemos o que somos. Alegre ou lamentavelmente. Para que tenhamos segurança com aquilo que somos ou para que caiamos na incerteza. Aliás, o nosso ser e como o percebemos está indissociado do nosso estado, ser e estar. Nos possibilita maior mobilidade e mesmo as características mais arraigadas são estados nos quais nos quais nos encontramos e portanto, não nos são eternos nem absolutos. Constituição do ser em estados mais ou menos duradouros...
Estamos em viagem, em trânsito, podendo comparar português e espanhol, guardas e motoristas de ônibus brasileiros e chilenos, experimentar bebidas e frutas, modos de ver e de se expressar, o que nos é próprio, o que gostaríamos, o que não somo. Para meus amigos que mostram a cidade há um exercício de lhes descobrir o que é característico e o que é banal, ordinário. Resgate nos automatismos do cotidiano daquilo que, para quem visita, salta aos olhos
Quero fazer um diário de viagem para minha vida em São Paulo...
Novamente a única luz acesa em todo o ônibus está sobre a minha cabeça de modo que, quanto mais confortável eu me ajeito, mais claro e incômodo fica meu campo de visão. Estou me sentindo em um filme de Woody Allen. Se fosse uma peça de teatro, seria meu o foco e como todos estão dormindo, falaria em alta voz o que estou pensando. Mas não consigo pensar em nada. Em nada. Só na necessidade de pensar em algo.
Será que perdi minha deixa?
Algumas crianças bagunçam e se divertem e choram enquanto vários adultos tentam descansar. Mais cedo ou mais tarde aprenderão a ficar quietas. Paradas e caladas esperando a viagem chegar ao fim.
Dia 26
Caminho Pacífico
Lá estava o pequeno Wilbor* pela primeira vez. Descortinava-se à sua frente como se fosse intransponível. Seu corpo como que tomado por ondas de ansiedade. Excitação e temor. Tirou, à princípio, fotos de longe, precavido, como era de seu feitio (ao menos ultimamente). Pisou, por fim, no solo incerto e instável. Os sons, ritmados e sedutores, o envolviam e aproximavam. Resistia e se afastava para novamente encurtar a distância em cambaleantes passos de tango (não estivesse ele no Chile). Queria tocar, estava confiante. Prestes a, no meio do fôlego, foi engolido. Risadas e flashes. Pegadinha? Saiu encharcado.
*O nome foi trocado para preservar a identidade do narrador
Descrição do companheiro de viagem
Por: Companheira de viagem
Primeira Parte depois de muita insistência
Para a Alemanha eu queria ir, mas acabei encontrando um menino que sonhava muito, sonhava em ir pra Machu Picchu. Quem diria que realmente acabaria com ele no meio dos Andes, brincando de guerra de bola de neve.
Verdade que ele quase não chega a tempo para viajar. Atraso de 5 minutos não é atraso, diria ele.
Menino sapeca e sorridente. Gosta de fazer as pessoas sorrirem e tem talento para isso. Um pouco desligado, o que é bom em alguns momentos, me divertindo com a sua demora para notar que nossos companheiros no ônibus são sacoleiros e podendo me tirar do sério às vezes, como quando esqueceu o número de onde iríamos ficar no Chile em São Paulo.
Toma o banho mais longo do mundo, mas tira fotos legais e sabe usar o manual da máquina (não que tomar banho tenha a ver com tirar fotos boas).
Diz que sou reclamona, mas vive reclamando das minhas reclamações. Tira sarro quando esqueço o nome das comidas, mas no fim me diz qual o nome certo.
Temo por ele. A maldição da viagem diz que ele ainda vai ser atropelado já que, como disse ele por aqui, às vezes ele é meio desligado.
Mas me protege dos buracos que insistem em me perseguir.
Menino de conversas boas, já está até aprendendo a fazer trocadilhos, ele não é muito bom em piadas ruins.
Discordamos sempre das estatísticas sobre o Brasil. Mas parece ter mais sorte nas apostas...
Parece que continuamos nos dando bem, mesmo nessa convivência ostensiva, mesmo nos conhecendo a menos de 1 ano (incrível como faz pouco tempo...)
Dia 27
Os sonhos se constroem a mão e sem pedir permissão
Os esquimós têm dezenas de palavras para descrever o que para nós é simplesmente branco. Sua sensibilidade é apurada para as formas que neve e gelo podem assumir. Ao contrário dos trogloditas sem coração e sem reconhecimento artístico que, aposto, vão encher o saco pelas dezenas e dezenas de fotos que tiramos na neve.
Ontem tive câimbra no maxilar.
Deve ser Lesão por Esforços Repetitivos...
Lingüiça, salsicha, alguma cebola, um pouco de ovo, carne por cima de uma montanha de batatas fritas. Uma verdadeira revolução na cozinha contemporânea. 20 reais, quatro pessoas satisfeitas e felizes.
Dia 28
São exatamente seis horas da manhã. Estamos acordados, banho tomado, quarto em ordem, à espera de um passeio que pode não existir, ansiosos, achando que seriam sete, como o relógio com fuso desatualizado dizia.
Álvaro e Muchy foram excelentes anfitriões, ficaram mais do que nos ciceroneando, ficaram nos pajeando. Quase mimando. Solícitos, bem humorados, disponíveis, animados. Excelentes guias, do nosso lado o tempo inteiro nos levando pra cima e pra baixo das ladeiras de Valparaíso, mistura de Olindo com a Sicília. É diferente, prático, inusitado andar com pessoas que moram na cidade. Sempre pontos turísticos não oficiais. Empanadas macentas no parque, fotos queima-filme nas baladas, biscoitos da vovó com Everest Sul Americano de fundo, todo mundo junto no escorregador de pedra escondido ao lado do elevador panorâmico, aulas sobre investimentos públicos em bairros ricos e pobres de Santiago em um passeio de carro, ajuda na composição em Português do violeiro que parou e veio pedir, alguns amigos de copo (como era de se esperar) de uma noite, novela chilena. Genial, sensacional, eu diria. Levo um brinde, Pisco e muitas fotos.
Nunca sobre ti,
nunca abajo tuyo,
sempre al lado tuyo
amigo mio.
Talvez estejamos prestes a ter que decidir entre um passeio de um dia pelos Andes e um de barco pelo rio Prata até Montevidéu...
Estou com medo dos meus amigos porque se eles são tão legais é porque, na verdade, estão escondendo algo muito ruim, tentando compensar o que, apodrecido, insiste em exalar. É assim que é, os egoístas são simplesmente pessoas mais conscientes da própria condição. Viva a Psicanálise, ícone do iluminismo pós-moderno, mostrando caminhos nesse mundo incerto, revelando a hipocrisia fundante de toda bondade humana e anulando-a. Quem é que nunca ouviu: “Você só ajuda os outros porque te faz bem, te satisfaz, te realiza pessoalmente”? Seria possível inverter a frase? “Você só pensa em você, só é egoísta para satisfazer seus conhecidos, os outros, a sociedade que tanto valoriza o individualismo, o egoísmo, o self-made man”? (aliás self-made man, outro ícone que nos acompanha e nos constitui...)
Dia 29
Estamos sempre chegando, conhecendo, saindo. O suficiente para ser marcado e tocado. Algo de especial, muitas fotos. Nada que dure para que se repita ou se arraste em monotonia. Sempre em passagem, sempre caminhando. Serão cinco dias em Buenos Aires.
Pensamentos interrompidos por conversa ora em Portunhol, ora em Inglês de uma pessoa que depois se revela francesa. Momentos fascinantes.
Nessa porcaria de diarinho, como se fosse um grande pensador, a partir de acontecimentos insignificantes, refletir, compreender, tirar lições e verdades sobre as essências por detrás das coisas. Sou mesmo muito bom e sensível. Sorte de quem lê.
Tento falar, penso, construo as frases, mas elas saem trincadas, incompreensíveis, não cumprem sua função. Confundo sons e línguas e sentidos na possível incomunicação previsível.
Numa vigem é possível que se escolha quais serão as sensações. Improvisada em barracas, conhecendo gente em albergues, exibindo cultura em lugares históricos, natureza em hotéis fazenda, compras no Paraguai, em um quarto confortável em um hotel caro, pacotes turísticos dos mais variados. Assim, a viagem vai se fazendo, no inesperado, no imprevisto (que é o previsto nas viagens improvisadas). No "não era bem isso", para além do "é mais bonito que eu esperava". Rupturas no concreto de onde brotam os musgos de chuvas e chuvas e chuvas inférteis.
General San Martin. Militar e religioso, que combinação estranha... Lutou pela indepedência da Argentina, Chile e Uruguai, ganha após vários confrontos com espanhóis. Depois, o que era a República do Prata (ou algo assim...) se dividiu nos três países. Seguem períodos de turbulência, golpes de Estado, presidentes que renunciam. Como na maioria dos países latino-americanos. Por aqui ficamos independentes com o filho do imperador da Metrópole, sem grandes surpresas, povo ordeiro, festeiro, receptivo. Sem guerra, sem sofrimento, deu-se um jeito quando foi necessário. A partir daquele momento foi-nos dada a independência. O nosso mártir era um coitado, traído, de um movimento aristocrático sem grande relevância do qual era o mais pé-rapado: Nosso herói. Algum outro? Saci? Macunaíma???
Dia 30
O pequeno Yamamoto nasce em uma pequena cidade numa província rural do Japão do início do século. Filho de camponeses, destino traçado, pai, cujo único momento de convívio e sorriso era o anterior à ceia. Religiosamente sintonizava, no rádio conseguido à duras penas, Mozart e Bach. O menino odiava. Atraiam-no as grandes cidades, visitadas de tempos em tempos, as novas tendências. Um som particularmente intenso e sensual era o elegido para as escassas horas de lazer que dispunha então.
Saiu de casa, teve filhos, envelheceu, teve tempo. Cultivava sua paixão, ordenado e dedicado. Aprendeu a escrever, conseguiu se aposentar. Aprendeu os significados de traduções que lhe faziam e a falar um pouco de espanhol, dramaticamente. Conheceu as histórias e os principais sucessos. O que cruzava o Pacífico lhe caía às mãos. De forma tímida e demorada, economizou para realizar um sonho. Sem conseguir se fazer entender, sem conseguir se comunicar, o senhor Yamamoto, com seu primeiro terno novo e sem conhecer ninguém, comprou passagens, reservou hotel. Saiu à noite, cheirando água de colônia, com ingressos no bolso, pelas ruas de Buenos Aires.
Dia 31
Sala escura, janela aberta. O gato se aproxima para ouvir o som da rua e permanece. Então, volta.
Os argentinos não lavam as mãos depois de usar o banheiro. Eis um problema: Seria um hábito cultural, ou nos lugares que eu fui é que isso acontece com frequência? Ou ainda, não aconteceria o mesmo no Brasil e eu é que não me dou conta? Só é possível afirmar sobre aquilo que conhecemos muito pouco. Quanto mais se conhece, menores as certezas. Só é possível se sentir próximo do que se está distante.
Carregadores de mudança são personagens fantásticos, devem ter várias histórias ótimas...
Cama adentro. Idéia simples, bom filme, como diria o Gaúcho: Bom para o que se propõe. Relação entre patroa e empregada doméstica que foi para além da financeira (óbvio, já que foram 28 anos) e desdobramentos quando o dinheiro acaba...
Dia 1º. De Agosto de 2005. Buenos Aires
Querido diário
Por aqui tudo ótimo! Estou curtindo muito a viagem! A Lu é super gente fina e companheira. A gente se dá super bem. Que bom, né? Já pensou se fosse uma chata?
Estamos em um passeio de barco, quase madrugamos e estamos morrendo de sono. Vai ser nosso terceiro país em duas semanas! Pena que está acabando L
Bom, agora deixa eu ir lá pra aproveitar muitão os últimos dias antes das aulas
San Telmo foi muito interessante apesar de ter presenciado seus três filhos. Um no colo enquanto ela pedia dinheiro, os outros dois eram obrigados a tocar sanfona e sorrir e pedir contribuições. O instrumento preso entre as mãos. Uma menina que devia ter uns 6 anos e um menino que não devia ter nem 3.
Tirando essa parte mais trash, muitos artistas de rua e antiguidades. Violões, shows de tango, teatro, homens estátua, fantoches e uma velhinha tocando uma mini bateria, entre outros. Será possível viver de arte? Será desejável?
La Boca, por sua vez, é diferente. Lá tinha até umas coisas mais interessantes na feira, mas soava artificial demais. São duas ruas no meio de um bairro pobre, montes de cortiços. Arte não combina com pobreza? É por isso a impressão de artificialismo? Como se o bairro não tivesse uma “vocação” para arte.
Viajar, conhecer outras culturas, outras formas de ver o mundo, de ouvir música, de ir ao banheiro. Outras árvores, pores de sol, comidas. Comemos chorillanas, choripan (pão com lingüiça) ceviche (peixe cozido no limão) pailla marina (caldo com frutos do mar) empanadas (espécie de salgado), tacos com carne e abacate (essa é mexicana). Experimentamos alfajores, refrigerante de pomelo, bife de chorizo. Sábado, comemos no Burguer King. Isso, para mim, seria o equivalente a chutar a santa para o religioso ou dizer que Freud era incompetente para um psicanalista ou dizer que Friends é sem graça. Enfim, uma heresia. Politicamente muito incorreto. A comida mais cara da viagem. Fiquei me sentindo culpado, deprimido, o que eu havia feito, meu deus??? Aí me lembraram que o politicamente incorreto é bom, a contradição e tudo mais. Deu uma aliviada. Burger King como desterritorialização da esquerdinha uspiana, a subversão no fast food.
A viagem durou o tempo de um suspiro. O tempo voa quando a gente se diverte...
Lembrar da história do coronel com mulher e criança na praia e da bulímica na ceia de natal.
Passamos por Colônia fazendo turismo de tiozão. Sem andar, comendo a cada parada, dormindo onde desse para encostar, conhecendo só o script do city tour. Mesmo assim, bem legal. Justifica o nome de Paraty uruguaia.
Dia 2
Pelo tempo de um suspiro vivemos muitas coisas, compartilhamos muitas coisas. Começamos uma viagem e acabamos fazendo outra completamente diferente, nem dá pra comparar uma com a outra. Nos jogamos na estrada em uma seqüência de cidades desconhecidas.
Muda aqui; troca o começo com o fim; fica mais um dia; passa, não fica; novos sabores e sabores (re)conhecidos.
Sabemos muito mais um do outro, o que não gostamos um no outro, o que gostamos. Sabemos que conseguimos conviver dias a fio sem problemas, ou melhor, resolvendo os problemas. Um ótimo convívio.
Rimos juntos, ficamos em silêncio juntos. Traí você na neve, você me traiu no cemitério. Estamos quites.
Dias de fartura, dias que esquecemos de almoçar. Eu te dou meu chá (tê) e você divide o suco comigo; você não gosta de janela e eu não gosto do corredor, mas ainda assim você troca de lugar comigo para eu ver o filme (ruim, talvez).
Um bom companheiro no frio de Santa Fé, na neve de Mendoza, no calor surpreendente de Santiago, nas noites de Valparaíso, no tango em Buenos Aires, no pôr-do-sol (que não era bem pôr-do-sol) em Colônia e mais comumente uma boa companhia nas horas e horas de estrada.
A viagem chega ao fim, mas não ficamos sem perspectiva. Nossa amizade foi saboreada com direito até de neve. Muitas viagens virão, pra mim, pra você e por que não, pra gente. Mas um pouco vamos levar desses quinze dias latinos.
Impressionante o quanto cabe no tempo de um suspiro!
Um beijo, um abraço
Sempre ao lado tuyo
Amigo mio
Com carinho
Luana
Dia 03
Ontem fomos fazer compras pela cidade. O dinheiro tinha acabado, o cartão dava problema, resolvemos não aceitar os sinais divinos e, contra tudo e contra todos, saímos pela cidade acumulando recordações e mais recordações. Tudo o que o nosso (escasso) dinheiro pôde permitir em emoções futuras. Chocolates, meias e livros, basicamente. Pela rua, várias sacolas cada um, como pelas ensolaradas alamedas de Miami.
Amostra do humor de ótima qualidade durante a viagem; baseado em slogans com trocadilhos:
Por faflor (pedindo favor pra Luana Flor)
Desnível, um restaurante de nível (sobre o restaurante desnível)
Maraviña (sugestão de slogan para a cidade de Viña del Mar no Chile)
Conforme o tempo da viagem para São Paulo vai passando vão ficando distante as lembranças das férias gostosas na Argentina e no Chile e se aproximando as lembranças das pendências e obrigações que nos aguardam em casa. Meio deprimido de voltar para a realidade.
Está aí uma coisa pela qual ganharia dinheiro: Para viajar. Passar um tempo acumulando para depois gastar. Tem outras coisas com as quais quero gastar meu dinheiro. Outros sonhos obtidos com a moeda de troca. Como as viagens são. Você vai ficando velho conforme vai desistindo de fazer as coisas de outra maneira. Mais e mais entendendo a lógica e entrando nela e desistindo de mudá-la. Coisas ficando mais e mais naturais.
Talvez devesse largar tudo e viajar e ir ganhando dinheiro conforme fosse precisando. Certamente não é esse o sentido da minha vida. Talvez, mesmo assim, deva fazer por um tempo. Não sei se conseguiria. Vamos nos enredando de tal forma em obrigações que muitas vezes não fazem sentido, mas prosseguimos, é o que temos que fazer. Isso é amadurecer, ter responsabilidades. O lado ruim do esforço para obter mariores satisfações? Quais seriam elas? Dinheiro?
Deveria ter escolhido uma carreira melhor remunerada para me divertir e ser feliz aos finais de semana.
As pessoas não tem o costume de pensar sobre as coisas que fazem e muito menos de falar sobre o que pensam. Passivos, levando e levando a vida para onde o vento sopra.
Criar uma comunidade no orkut da blogterapia com as seguintes regras:
- Ter um blog.
- Entender a importância e necessidade de comentários para efetividade do espaço.
- Freqüentar e comentar pelo menos outros dois participantes do movimento
Um rapaz fazia câmbio informal na fronteira entre Brasil e Argentina. Por ótimos preços com a conivência das “autoridades” entrava nos ônibus que iam em direção a terras brasileiras com gigantescos maços de dinheiro, oferecendo reais por pesos.
Uma senhora. Devia ter mais de 50. Daquelas que se maquiam exageradamente para parecer de espírito jovem, com roupas extravagantes e reluzentes. Em um albergue da juventude fazia sua base para compra de roupas hippies/indianas que revendia em sua lojinha em alguma cidade desconhecida do interior.
Nosso corpo é um espaço sensual, ou seja, de sensações. Negligenciamos a maioria dos estímulos que chegam até nós e brincamos muito pouco com as possibilidades que poderiam ser criadas, inventadas. Novamente, somos receptáculos vazios. Existe uma parte especialmente esquecida, as possíveis modificações endógenas que estão ao nosso alcance provocar por meio de: Remédios, álcool, drogas, café, chocolate, carne, frituras, exercícios físicos, formas de respirar e transar. Qualquer mudança desencadeia uma série de reestruturações hormonais, de humor e de percepção. Tanto tirar quanto acrescentar, mudar de forma ou de intensidade. Por que não experimentar?
"Vivemos pelo poder das coisas que não existem"
Valery
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sábado, 16 de maio de 2009
Armas empunhadas contra a sociedade da imagem e das celebridades instantâneas
Acabei de descobrir um aliado poderoso na luta contra a imbecilidade do fascínio e do acompanhamento irrefletido da vida privada das celebridades.
Cabelereiros e manicures pobres, além de clínicas públicas.
É evidente que esses lugares, por mais que em algum momento tenham se preocupado em comprar umas revistas para que os clientes possam passar seu tempo, essa preocupaçao nao chega ao ponto de gastar dinheiro semanalmente nas novíssimas novidades do mundo de caras.
Ai as revistas ficam lá, envelhecendo. E o tempo é um antídoto poderoso. Esses dias vi a entrevista da Luana Piovani quando ela ainda estava "apaixonada" pelo Dado Dolabela. Dizia algo como "ele é maravilhoso. Me deu um carro! Um carro! Ninguém dá um carro pra uma pessoa! A gente sempre dá uma coisinha pequena, mas um carro? Todo dia quando saio para trabalhar, penso nele, tá lá a presença dele na minha garagem". É excelente pensar no que foi dar esse episódio de amor! É excelente pensar naquilo que mantinha tao lindo amor. E de repente, nao é mais uma notícia sobre amor incondicional ou sobre espancamento inesperado. Vira uma reflexao. Duas notícias idiotas, imediatas e podemos nos deparar com a profundidade do discurso celebridal.
A outra foi a notícia do casamento da Suzana Vieira com o PM. O que me chamou a atençao além da necessidade dela se sentir numa idade que ela já nao tem eram os presentes. Estavam presentes no casamento 3 atrizes. Como uma mulher que trabalha a décadas como atriz tem 3 companheiros de trabalho no casamento? 3 pessoas se dignaram a cumprir esse papel de presença no evento importante e noticiado. Imaginem o que levou o resto do povo a decidir nao aparecer.
Enfim, o noticiado do momentaneo e do fugaz, quando visto com uma distância temporal, revela sua supercialidade de uma maneira incontestável. Graças aos saloes de beleza e a clinica de atendimento psicologico da facul estamos mais livres.
Cabelereiros e manicures pobres, além de clínicas públicas.
É evidente que esses lugares, por mais que em algum momento tenham se preocupado em comprar umas revistas para que os clientes possam passar seu tempo, essa preocupaçao nao chega ao ponto de gastar dinheiro semanalmente nas novíssimas novidades do mundo de caras.
Ai as revistas ficam lá, envelhecendo. E o tempo é um antídoto poderoso. Esses dias vi a entrevista da Luana Piovani quando ela ainda estava "apaixonada" pelo Dado Dolabela. Dizia algo como "ele é maravilhoso. Me deu um carro! Um carro! Ninguém dá um carro pra uma pessoa! A gente sempre dá uma coisinha pequena, mas um carro? Todo dia quando saio para trabalhar, penso nele, tá lá a presença dele na minha garagem". É excelente pensar no que foi dar esse episódio de amor! É excelente pensar naquilo que mantinha tao lindo amor. E de repente, nao é mais uma notícia sobre amor incondicional ou sobre espancamento inesperado. Vira uma reflexao. Duas notícias idiotas, imediatas e podemos nos deparar com a profundidade do discurso celebridal.
A outra foi a notícia do casamento da Suzana Vieira com o PM. O que me chamou a atençao além da necessidade dela se sentir numa idade que ela já nao tem eram os presentes. Estavam presentes no casamento 3 atrizes. Como uma mulher que trabalha a décadas como atriz tem 3 companheiros de trabalho no casamento? 3 pessoas se dignaram a cumprir esse papel de presença no evento importante e noticiado. Imaginem o que levou o resto do povo a decidir nao aparecer.
Enfim, o noticiado do momentaneo e do fugaz, quando visto com uma distância temporal, revela sua supercialidade de uma maneira incontestável. Graças aos saloes de beleza e a clinica de atendimento psicologico da facul estamos mais livres.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Na falta de inspiraçao...
Tá aí um blog a ser desvendado
Conteúdo riquíssimo, reflexoes importantes. Para que o grande público nao fique refém de caminhos fáceis e de rápida absorçao
De cara pra lua
Fazer a defesa de Francine ou Max num determinado momento passou a ser a defesa do casal que eles formam no BBB. É através do casal que seu caráter é questionado, é no casal que muitos procuram mostrar que existem incoerência e máscaras nesses dois jogadores. Alguns me questionam o porquê aqui no DCPL nós falamos tanto neste casal. Pois bem, um dos motivos é este, o foco no questionamento do ser ou não fake, além, é claro, do encantamento que eles despertaram. Max e Fran vêm passando ao longo deste BBB9 por muitas provas de fogo, tal e qual um conto moderno de Romeu e Julieta, onde alguns confabulam, rezam e praguejam para que tudo dê errado.
Até Bial surgiu com uma faca para dar o golpe fatal. E eles resistem, passaram pela pergunta do Bial sobre os sentimentos do Max nos primeiros paredões no início do programa e superaram a prova de fogo de ter o caráter de Francine questionado em rede nacional no programa ao vivo. Pois mais do que o casal, o que se questionou foi o caráter da Fran. E ela também passou por esta prova cruel com muita graça e valentia.
Eu não me importo se esse namoro vai acabar no dia seguinte da Final do BBB9, o importante é que ele tem sido o fio condutor que revela dois grandes jogadores desta edição, um norteado pela razão, pela vontade de fazer o mais correto, de querer jogar sem saber muito bem o que fazer, de ser justo, de somar ao programa, de somar à história do BBB. Max quer ser campeão. Qual deles não quer? Mas ele não é hipócrita e verbaliza sua vontade, ele não quer ser lembrado como o cara que fugiu de sua responsabilidade de jogador dizendo que não foi lá para jogar ou que se esquece das câmeras ao seu redor. E, no contraponto deste jogador tão pensado, Francine se revela em toda sua emoção.
Francine é única, talvez uma das mais interessantes personagens que já surgiu no Big Brother Brasil. Um BBB tão recheado da riqueza do ser humano, das nuances de nossa personalidade, dos grandes e pequenos defeitos que todos nós carregamos. Este não é um BBB linear e me entristece que o grande público fique refém de uma leitura que até por conta do tempo limitado da TV aberta tenha que caminhar por caminhos menores e de fácil absorção. Perdemos tanto tempo com o show que uma edição como esta, que nos permite ser ricos na análise de seus personagens, corre o risco de acabar sem termos conseguido desvendá-los por inteiro.
Assim como o BBB9 Francine não é linear, não é de fácil leitura, mas tem um carisma tão grande que supera todas as suas dúvidas sobre o mundo. Fran é generosa, talvez uma das pessoas mais generosas naquela casa, mas sua generosidade não é tolice, não a deixa cega, não a torna ingênua. Sua generosidade vem de sua vontade de cuidar dos seus, de acalentá-los, de servi-los sem ser servil, de cuidar do outro como uma demonstração de carinho e afeto. Francine abraça a causa dos amigos como se fosse sua, briga por eles, sofre com eles e busca não se desviar de seu senso de lealdade. Cobra o mesmo das pessoas, mas nem sempre tem o retorno merecido e desejado. È estourada demais, emocional demais, fala primeiro e pensa depois. Quando pensa.
Nós também colocamos Francine à prova. Quantas e quantas vezes a colocamos de quarentena? Quantas e quantas vezes tivemos vontade de invadir o Projac e dar umas boas palmadas nesta menina? Inúmeras vezes, incontáveis foram as situações em que nosso coração balançou entre a raiva e o amor pela jogadora e seus movimentos no jogo. Mas, Francine derrubou cada quarentena, cada reticência, cada cobrança que nós fizemos. Quando Francine nos faz rir, ela desmancha toda mágoa, toda dúvida, todo questionamento. E traz de volta nosso bem querer.
Em seu envolvimento com Max, Francine desabrochou, conseguiu explicar sua personalidade, suas atitudes. A metáfora da boneca que se transformou numa linda menina é mais do que verdadeira, a gente viu acontecer, ninguém veio nos contar, não foi fofoca de corredor, tampouco bate papo de bar. E no lugar da boneca divertida, mas sem vida, a gente descobriu uma mulher insegura, cheia de medos, com uma carência enorme, mas com uma capacidade de amar, de se doar, de se transformar que colocou Francine na galeria das grandes mulheres do BBB.
Francine conquistou nosso respeito, nosso carinho e nossa torcida. A gente vai ganhar essa parada? A gente vai conseguir que ela e Max consigam se mostrar como casal e como pessoas ao grande público? Sinceramente eu não sei. Mas sei que, por mais sofrido que seja a gente está junto com ela nessa jornada, votando muito para que ela volte desse e de outros paredões mais a frente. Torcendo que a generosidade vença a hipocrisia, que a lealdade vença as traições, que o amor vença o despeito, que a amizade se sobreponha ao oportunismo e que a alegria de Francine vença a adversidade e o ceticismo. Go Francine, Go!
Conteúdo riquíssimo, reflexoes importantes. Para que o grande público nao fique refém de caminhos fáceis e de rápida absorçao
De cara pra lua
Fazer a defesa de Francine ou Max num determinado momento passou a ser a defesa do casal que eles formam no BBB. É através do casal que seu caráter é questionado, é no casal que muitos procuram mostrar que existem incoerência e máscaras nesses dois jogadores. Alguns me questionam o porquê aqui no DCPL nós falamos tanto neste casal. Pois bem, um dos motivos é este, o foco no questionamento do ser ou não fake, além, é claro, do encantamento que eles despertaram. Max e Fran vêm passando ao longo deste BBB9 por muitas provas de fogo, tal e qual um conto moderno de Romeu e Julieta, onde alguns confabulam, rezam e praguejam para que tudo dê errado.
Até Bial surgiu com uma faca para dar o golpe fatal. E eles resistem, passaram pela pergunta do Bial sobre os sentimentos do Max nos primeiros paredões no início do programa e superaram a prova de fogo de ter o caráter de Francine questionado em rede nacional no programa ao vivo. Pois mais do que o casal, o que se questionou foi o caráter da Fran. E ela também passou por esta prova cruel com muita graça e valentia.
Eu não me importo se esse namoro vai acabar no dia seguinte da Final do BBB9, o importante é que ele tem sido o fio condutor que revela dois grandes jogadores desta edição, um norteado pela razão, pela vontade de fazer o mais correto, de querer jogar sem saber muito bem o que fazer, de ser justo, de somar ao programa, de somar à história do BBB. Max quer ser campeão. Qual deles não quer? Mas ele não é hipócrita e verbaliza sua vontade, ele não quer ser lembrado como o cara que fugiu de sua responsabilidade de jogador dizendo que não foi lá para jogar ou que se esquece das câmeras ao seu redor. E, no contraponto deste jogador tão pensado, Francine se revela em toda sua emoção.
Francine é única, talvez uma das mais interessantes personagens que já surgiu no Big Brother Brasil. Um BBB tão recheado da riqueza do ser humano, das nuances de nossa personalidade, dos grandes e pequenos defeitos que todos nós carregamos. Este não é um BBB linear e me entristece que o grande público fique refém de uma leitura que até por conta do tempo limitado da TV aberta tenha que caminhar por caminhos menores e de fácil absorção. Perdemos tanto tempo com o show que uma edição como esta, que nos permite ser ricos na análise de seus personagens, corre o risco de acabar sem termos conseguido desvendá-los por inteiro.
Assim como o BBB9 Francine não é linear, não é de fácil leitura, mas tem um carisma tão grande que supera todas as suas dúvidas sobre o mundo. Fran é generosa, talvez uma das pessoas mais generosas naquela casa, mas sua generosidade não é tolice, não a deixa cega, não a torna ingênua. Sua generosidade vem de sua vontade de cuidar dos seus, de acalentá-los, de servi-los sem ser servil, de cuidar do outro como uma demonstração de carinho e afeto. Francine abraça a causa dos amigos como se fosse sua, briga por eles, sofre com eles e busca não se desviar de seu senso de lealdade. Cobra o mesmo das pessoas, mas nem sempre tem o retorno merecido e desejado. È estourada demais, emocional demais, fala primeiro e pensa depois. Quando pensa.
Nós também colocamos Francine à prova. Quantas e quantas vezes a colocamos de quarentena? Quantas e quantas vezes tivemos vontade de invadir o Projac e dar umas boas palmadas nesta menina? Inúmeras vezes, incontáveis foram as situações em que nosso coração balançou entre a raiva e o amor pela jogadora e seus movimentos no jogo. Mas, Francine derrubou cada quarentena, cada reticência, cada cobrança que nós fizemos. Quando Francine nos faz rir, ela desmancha toda mágoa, toda dúvida, todo questionamento. E traz de volta nosso bem querer.
Em seu envolvimento com Max, Francine desabrochou, conseguiu explicar sua personalidade, suas atitudes. A metáfora da boneca que se transformou numa linda menina é mais do que verdadeira, a gente viu acontecer, ninguém veio nos contar, não foi fofoca de corredor, tampouco bate papo de bar. E no lugar da boneca divertida, mas sem vida, a gente descobriu uma mulher insegura, cheia de medos, com uma carência enorme, mas com uma capacidade de amar, de se doar, de se transformar que colocou Francine na galeria das grandes mulheres do BBB.
Francine conquistou nosso respeito, nosso carinho e nossa torcida. A gente vai ganhar essa parada? A gente vai conseguir que ela e Max consigam se mostrar como casal e como pessoas ao grande público? Sinceramente eu não sei. Mas sei que, por mais sofrido que seja a gente está junto com ela nessa jornada, votando muito para que ela volte desse e de outros paredões mais a frente. Torcendo que a generosidade vença a hipocrisia, que a lealdade vença as traições, que o amor vença o despeito, que a amizade se sobreponha ao oportunismo e que a alegria de Francine vença a adversidade e o ceticismo. Go Francine, Go!
sábado, 31 de janeiro de 2009
Possíveis Explicaçoes
- Um motoqueiro quebrou meu vidro e pegou minha mochila quando eu tava saindo com o carro. Ai eu fui atrás e acabei batendo a moto dele em um outro carro. Com a batida, como eu estava sem cinto (crianças, nao tentem fazer isso em casa), acabei indo com a cara no vidro. O motoqueiro foi pro hospital e preso em seguida, mas passa bem de saúde
- Contei pra vocês que eu to aprendendo malabares com fogo? Pois é, o pino escorregou da minha mao e o fluido espalhou um pouco pela minha cara...
- Eu tenho um pouco de vergonha de contar... Domingo eu tava no centro... Tava... Orando... Acho que o Senhor me castigou... Eu sabia que nao devia confiar na Renascer, eles nao sao de Deus...
- Minha namorada achou que eu tava gemendo de prazer...
- Contei pra vocês que eu to aprendendo malabares com fogo? Pois é, o pino escorregou da minha mao e o fluido espalhou um pouco pela minha cara...
- Eu tenho um pouco de vergonha de contar... Domingo eu tava no centro... Tava... Orando... Acho que o Senhor me castigou... Eu sabia que nao devia confiar na Renascer, eles nao sao de Deus...
- Minha namorada achou que eu tava gemendo de prazer...
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Snif, snif
O pior de estar com a cara completamente destruída não é a careta de nojo misturado com pena que as madames me dirijiam na praia. É perceber que quando as pessoas me dão bom dia, elas não olham pra mim...
domingo, 14 de dezembro de 2008
Ibirapuera
Eu odeio esses vagabundos, desgraçados, caipiras, filhos-da-puta que ficam vendo uma árvore brega e nada original, nem bonita e escutando músicas gravadas em inglês de fim de ano, mesmo embaixo de garoa e vendo a porra duma fonte e subindo e descendo do caralho da estátua recém restaurada como se Sao Paulo fosse um lugar onde é possível estar tranquilo e curtir um fim de noite em família sem preocupaçoes e acabam criando um transito gigantesco e inacreditável e irritante e absurdo e fudendo com a vida de quem só quer ir pra casa.
Por mim jogava uma bomba em cima e matava tudo
É a única e refletida e ponderada soluçao.
Diversao em Sao Paulo, ha ha, onde já se viu?
Morram todos
Por mim jogava uma bomba em cima e matava tudo
É a única e refletida e ponderada soluçao.
Diversao em Sao Paulo, ha ha, onde já se viu?
Morram todos
sábado, 29 de novembro de 2008
Sobre a prostituição ou Carência Afetiva
É só alguém me chamar pra uma entrevista de emprego demonstrando interesse por mim que eu já fico todo felizinho...
Que tristeza
Mas a bipolaridade é assim, daqui a pouco eu volto a cair :)
Que tristeza
Mas a bipolaridade é assim, daqui a pouco eu volto a cair :)
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Das situações que me humilham mais que limpar bundas alheias
- Oi, tudo bem? Queria meeesmo conversar com vocês, vim aqui conhecer o projeto, me falaram tãããão bem...
- Ah é? Quem?
- Putz, não sei se você conhece o Jaime, ele é primo de uma mulher que ouviu falar de vocês em um congresso no Piauí em 2003
- Sério? Que ótimo! Acho que devo lembrar dela talvez. Então, o que você quer saber? Temos professores, funcionários, umas salas de aulas
- Nossa, parece mesmo incrível
- Temos um parquinho também, com uma árvore. Acho que é isso
- Nossa, fantástico. Então, eu realmente acredito no trabalho de vocês e queria contribuir de alguma forma. Vocês não estão precisando de ajuda?
- Não sei, esse projeto é muito novo, não se sustenta. Você toparia trabalhar de graça por algum tempo pra gente ver se gosta de você e depois se der a grana a gente te contrata?
- Claro que sim
- Sério? Achei que não... Tá bom. Mesmo assim preciso falar com o chefe. Te mando um email qualquer dia...
- Opa, vou ficar te esperando
- Ah é? Quem?
- Putz, não sei se você conhece o Jaime, ele é primo de uma mulher que ouviu falar de vocês em um congresso no Piauí em 2003
- Sério? Que ótimo! Acho que devo lembrar dela talvez. Então, o que você quer saber? Temos professores, funcionários, umas salas de aulas
- Nossa, parece mesmo incrível
- Temos um parquinho também, com uma árvore. Acho que é isso
- Nossa, fantástico. Então, eu realmente acredito no trabalho de vocês e queria contribuir de alguma forma. Vocês não estão precisando de ajuda?
- Não sei, esse projeto é muito novo, não se sustenta. Você toparia trabalhar de graça por algum tempo pra gente ver se gosta de você e depois se der a grana a gente te contrata?
- Claro que sim
- Sério? Achei que não... Tá bom. Mesmo assim preciso falar com o chefe. Te mando um email qualquer dia...
- Opa, vou ficar te esperando
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Problemas existenciais
Tenho enfrentado complicaçoes que nao estava esperando. Dificuldades em concretizar meus planos...
Queria ir para Russia, mas nao posso porque preciso de um visto e pra conseguir o visto eu tenho que ter passagem de ida e volta e eu queria chegar de trem pela Ucrania e sair com o Transiberiano para a China e nao tem site pra comprar a passagem de trem e preciso de uma carta convite de alguem que teria que inventar.
Queria ir pra China mas o visto só é válido por um mês, ou seja venceria em Maio, e eu só chegaria lá em Setembro. Podia tirar na Russia, mas ai eu teria que ficar uma semana sem passaporte e parece que a policia pára as pessoas na ruas, desconfia que os passaportes sao falsos, existem manifestaçoes xenofóbicas, enfim, turismo selvagem, nao tenho muita coragem de ficar sem meu passaporte...
Queria ir pra India, mas tenho que mandar meu passaporte por correio pra Madrid e esperar umas duas semanas. Desencanei. Pelo menos por enquanto. Quem sabe tiro esse visto daqui uns meses... Vou amanha pra Menorca, uma ilhazinha daqui.
Por enquanto vou ter que me consolar com o Leste. Segue mais ou menos o roteiro depois de Berlin, começando quarta-feira que vem.
Polonia, pra saber como é um ex-país comunista e pra ver como era Auschwitz
Depois vou pra Eslovaquia, na casa de um conhecido, cidade pequena de um pais pequeno
Talvez passe por Budapeste e Praga, talvez nao
Vou pra Bosnia, pra Sarajevo. Dizem que é muito interessante o estilo de vida pós guerra. Dizem que a vida pulsa nessa cidade.
Depois vou pegar uma praia nas ilhas croatas. Parece que é moda entre as pessoas interessantes da Europa. Olha só, eu pareceria "cool" mesmo pra um europeu...
Depois vou fazer umas trilhas e caminhadas por montanhas na Bulgaria e na Romenia.
Depois chego na Turquia, conhecer Istambul "a ponte entre Europa e Asia" e a regiao da Capadócia com casas feitas nas pedras e povos.
Depois volto pra Espanha pra pensar que faço da vida, talvez vá diretamente pra India
Eu sei que parecem graves meus problemas, mas nao se preocupem, estou bem
"Sei como é, também queria ir pra Praia no fim de semana, mas vou ter que abrir a loja"
Queria ir para Russia, mas nao posso porque preciso de um visto e pra conseguir o visto eu tenho que ter passagem de ida e volta e eu queria chegar de trem pela Ucrania e sair com o Transiberiano para a China e nao tem site pra comprar a passagem de trem e preciso de uma carta convite de alguem que teria que inventar.
Queria ir pra China mas o visto só é válido por um mês, ou seja venceria em Maio, e eu só chegaria lá em Setembro. Podia tirar na Russia, mas ai eu teria que ficar uma semana sem passaporte e parece que a policia pára as pessoas na ruas, desconfia que os passaportes sao falsos, existem manifestaçoes xenofóbicas, enfim, turismo selvagem, nao tenho muita coragem de ficar sem meu passaporte...
Queria ir pra India, mas tenho que mandar meu passaporte por correio pra Madrid e esperar umas duas semanas. Desencanei. Pelo menos por enquanto. Quem sabe tiro esse visto daqui uns meses... Vou amanha pra Menorca, uma ilhazinha daqui.
Por enquanto vou ter que me consolar com o Leste. Segue mais ou menos o roteiro depois de Berlin, começando quarta-feira que vem.
Polonia, pra saber como é um ex-país comunista e pra ver como era Auschwitz
Depois vou pra Eslovaquia, na casa de um conhecido, cidade pequena de um pais pequeno
Talvez passe por Budapeste e Praga, talvez nao
Vou pra Bosnia, pra Sarajevo. Dizem que é muito interessante o estilo de vida pós guerra. Dizem que a vida pulsa nessa cidade.
Depois vou pegar uma praia nas ilhas croatas. Parece que é moda entre as pessoas interessantes da Europa. Olha só, eu pareceria "cool" mesmo pra um europeu...
Depois vou fazer umas trilhas e caminhadas por montanhas na Bulgaria e na Romenia.
Depois chego na Turquia, conhecer Istambul "a ponte entre Europa e Asia" e a regiao da Capadócia com casas feitas nas pedras e povos.
Depois volto pra Espanha pra pensar que faço da vida, talvez vá diretamente pra India
Eu sei que parecem graves meus problemas, mas nao se preocupem, estou bem
"Sei como é, também queria ir pra Praia no fim de semana, mas vou ter que abrir a loja"
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sexta-feira, 18 de abril de 2008
.
Certo, me mudaram assim, de um dia pra outro, como uma peça em uma emgrenagem, depois de 6 meses de trabalho mal acessorado pela coordenaçao. 30 minutos antes de eu começar o que seria meu ultimo fim de semana ali. Custa tanto assim fazer as coisas de uma maneira decente, como se estivéssemos trabalhando com pessoas?
Fiz um moicano, descolori, descolori, pintei de prateado. Ficou meio amarelo, mas bonitinho. Aquele estranho que movimenta, faz as pessoas olharem, causa.
Pedi demissao, cumpro 15 dias de aviso prévio, cancelo todos os extras para os quais eles tinham me chamado. Posando de honrado.
Com o tempo o mal estar foi desaparecendo. Em parte porque meu ultimo domingo foi uma guerra, todo mundo bateu ou quase bateu em todo mundo, hospital e tal. Vao sentir minha falta. Se nao significa que eu era um bom trabalhador, pelo menos significa que eles gostam de mim.
Agora visitar um amigo na Irlanda, comprar uma saia na Escócia e planejar uma grande viagem. Acho que com essa viagem vai acontecer mais ou menos o que acontece com meu cabelo agora, só que de maneira um pouco mais duradoura. Vou parecer uma pessoa diferente, corajosa, com histórias interessantes a contar. Quase uma pessoa interessante.
E vou contando por aqui. Pra ver se esse blog parece mais interessante também...
Fiz um moicano, descolori, descolori, pintei de prateado. Ficou meio amarelo, mas bonitinho. Aquele estranho que movimenta, faz as pessoas olharem, causa.
Pedi demissao, cumpro 15 dias de aviso prévio, cancelo todos os extras para os quais eles tinham me chamado. Posando de honrado.
Com o tempo o mal estar foi desaparecendo. Em parte porque meu ultimo domingo foi uma guerra, todo mundo bateu ou quase bateu em todo mundo, hospital e tal. Vao sentir minha falta. Se nao significa que eu era um bom trabalhador, pelo menos significa que eles gostam de mim.
Agora visitar um amigo na Irlanda, comprar uma saia na Escócia e planejar uma grande viagem. Acho que com essa viagem vai acontecer mais ou menos o que acontece com meu cabelo agora, só que de maneira um pouco mais duradoura. Vou parecer uma pessoa diferente, corajosa, com histórias interessantes a contar. Quase uma pessoa interessante.
E vou contando por aqui. Pra ver se esse blog parece mais interessante também...
terça-feira, 1 de abril de 2008
Uol Horóscopo para mes de Abril
No seu afã de experimentar, ser e acontecer, você acaba afastando as pessoas, pois não suporta amarras, conselhos, compromissos e interferências em seu modo imprevisível, volátil e bizarro de se relacionar com as pessoas queridas, que ficam sem saber como agir.
domingo, 23 de março de 2008
Moinhos de Vento?
Artigo que talvez saia em uma revista de viagens. A ver...
O final brega foi censurado e será substituido
Moinhos de vento?
Sempre tive uma imagem de que a Holanda era um país liberal onde as pessoas faziam o que bem entendiam sem que ninguém se importasse. Tinha curiosidade de saber como seria viver em um lugar desses. Tinha curiosidade de saber como eu me sentiria ai, sem tantos tabus. Ouvia dizer também que contraditoriamente, entre tantas idéias inovadoras ou corajosas, vivia ali um povo muito conservador e racista. Encontrei companhia e fui caminhar por lá.
Respeito à diferença: Viver e deixar viver
Chegamos em Amsterdam com sua atmosfera super liberal, com seus coffee shops e suas putas “em vitrines”. Duas referências do país e provavelmente reponsáveis pela maior parte dos turistas que chegam em Amsterdam querendo sentar num bar e escolher no menu qual a procedencia da sua maconha ou querendo experimentar a sensaçao de se sentir atraido por uma mulher nua na rua e poder entrar e pagar sem constrangimentos.
Além dos turistas a vida nesses lugares é bastante “normal”. Talvez estivessem pelo distrito vermelho um ou outro senhor para encontrar suas acompanhantes de muitos anos, algum grupinho de amigos pra perder a virgindade, mas também estavam passeando pelo bairro casais, crianças e aposentados que deviam morar por perto. Talvez houvesse nos coffee shops um ou outro universitário comprando seu haxixe semanal, exatamente como no Brasil, ou na Espanha. Mas também o amigo do dono tomando um café depois do serviço.
A vida nao é tao diferente, as pessoas nao sao tao diferentes. Só nao estao tao preocupados, como a gente, em esconder algumas sombras. Estao acostumados e convivem com essa realidade abertamente, e já nem consomem, já que o que nao é mais proibido deixa de ser tao gostoso e se pode ver o que há de bom e o que há de ruim na prostituiçao e nas drogas que sao proibidas por aqui. No caso do aborto, por exemplo, alí é permitido e se pratica 10 vezes menos do que na América Latina onde é proibido na maioria dos casos.
Nao se trata de poder fazer tudo. Os coffee shops exigem documentaçao, só vendem para maiores de idade e nao se pode consumir nada nas ruas e nos espaços públicos. Ou no local ou em casa. É tudo regulamentado pelo estado e sem tanta hipocrisia ao redor. Ninguem vai passar mal porque misturaram alguma outra substância desconhecida no beque. Um problema social talvez, como alcool ou tabaco, que deve gerar gastos de saúde pública que sao pagos pelos impostos de todos.A prostituiçao fica reservada a uma zona de Amsterdam e é uma profissao, ou seja, elas pagam a seguridade social, sao empregadas legalmente e podem ter uma vida um pouco mais digna. Talvez existam agenciadores – os cafetoes – mas nao podem fazer o que bem entenderem com as mulheres, humilhando e maltrantando e escravizando como acontece onde é ilegal. Além disso, me deu a sensaçao de que elas podem escolher se querem ir ou nao com quem chega por ai.
O respeito às diferenças é sentido também no caso da orientaçao sexual. Passamos por diversos edificios com a bandeira do arco-iris, hotéis, lanchonetes e lojas de roupa e nenhuma era exclusiva para o público gay. Acho que era uma questao de poder falar abertamente de quem voce é e partir daí, quem quisesse entrar que se sentisse à vontade. Os imigrantes também estao mais integrados à sociedade, falam a língua e trabalham, nao como em outros países europeus onde estao chegando ilegais e invisiveis para viver em guetos.
Enfim, existe um clima de que voce pode fazer o que bem entender na cidade. E isso, contrariando as minhas expectativas, nao cria uma atmosfera hippie, alegre ou colorida. As pessoas estao ali, fugindo da chuva (em Amsterdam e em toda Holanda chove quase todos os dias), alguns mal humorados, todos com suas bicicletas, vivendo e deixando viver.
Bicicletas e charmosos canais
É impressionante a quantidade de gente que anda de bicicleta. O país é todo plano, o que facilita bastante a coisa. É bicicleta por todos os lados, em cidades grandes e pequenas, algumas sao deixadas na rua sem cadeado, outras em estacionamentos dignos dos shopings paulistanos, tres ou quatro andares só de bicicletas. Sao crianças indo para o colégio, adolescentes de madrugada voltando das festas, idosos fazendo compras, executivos engravatados indo ao trabalho, familias inteiras. O código de transito é especial, com sinalizaçoes de braço para mudar de pista, virar para a direita... Eles têm biciletas de 2, 3 pessoas, bicicletas para entregas, para carregamentos mais pesados, para ir com recém nascidos, “para ensinar a criança desde cedo”. Existem vias exclusivas em todas ruas e avenidas e rodovias, espaço especial para viajar com elas no trem.
Para entrar no clima, no segundo dia alugamos bicicletas e fomos fazer umas trilhas por parques naturais. O país é bem pequeno, menor que o Estado do Rio de Janeiro e em três horas chegamos no Mar do Norte, que é bem mais feio do que imaginávamos. Existem trilhas bem demarcadas e parece que é possível conhecer toda a Holanda pedalando em poucos dias.
Nos outros dias passeamos por cidadezinhas cheias de canais e bicicletas e mulheres loiras, que estao em forma, ao contrário da imagem que tínhamos de senhoras gordinhas e coradas de lenço na cabeça e tamancos nos pés. As cidades sao um pouco parecidas entre si, estilo medieval, umas mais preservadas e charmosas do que outras. E sem tanta influência romana como é o caso de Espanha, Portugal, França, Itália e América Latina, ou seja, vale a pena ver como sao organizadas espacialmente.
Algo curioso é que eles quase nao tem praças, quase nao existem esses espaços ao ar livre - a única coisa que eu vi foi uma feira. As pessoas passam seu tempo livre ou em casa, ou em restaurantes, bares, discotecas, talvez para fugir do frio e da chuva. É de se perguntar se essas caracteristicas climáticas tem alguma influência sobre como o povo se relaciona entre si, como quando dizem que nos países tropicais as pessoas sao mais alegres e simpáticas.
Fomos também até Rotterdam, que tem mais cara de cidade de verdade, sem tantas bicicletas, pessoas com pressa, negócios. Acho que é a única cidade por ali com cara de moderna, já que depois de ser inteiramente destruida durante a segunda guerra, optaram pela criaçao de outros edificios e nao pela restauraçao do que havia.
Se esse texto servir para os leitores como incentivo para conhecer os Países Baixos sugiro, além da óbvia Amsterdam, Alkmaar, de onde saímos para a trilha e de onde saem várias trilhas muito bem sinalizadas, e Delft, uma pequena e muy agradável cidadezinha medieval.
O prazer de viajar
O objetivo dessa viagem e desse texto era pensar sobre as diferenças que existem entre o meu jeito de ser e o dos holandeses, nossas realidades, nossas visoes de mundo, e acho que consegui pensar em muitas coisas. Mas tudo o que está escrito acima nao é imparcial, nem definitivo nem absoluto. Nada mais é que uma experiência de viagem, um diário daquilo que me marcou quando deixei meu lugar de sempre e decidi ir ao encontro de algo que nao me é familiar, quando decidi me abrir à possibilidade de ser tocado por uma realidade que nao é a minha. E essa decisao nao ajuda somente a conhecer outras culturas, cidades ou países, me ajuda a conhecer a mim mesmo, a como vivo a minha vida e, além disso, a pensar como posso vivê-la. Ao sair de onde moro tenho melhores condiçoes de perceber como moro. É fantástico. Que sirva de convite à viagens!
O final brega foi censurado e será substituido
Moinhos de vento?
Sempre tive uma imagem de que a Holanda era um país liberal onde as pessoas faziam o que bem entendiam sem que ninguém se importasse. Tinha curiosidade de saber como seria viver em um lugar desses. Tinha curiosidade de saber como eu me sentiria ai, sem tantos tabus. Ouvia dizer também que contraditoriamente, entre tantas idéias inovadoras ou corajosas, vivia ali um povo muito conservador e racista. Encontrei companhia e fui caminhar por lá.
Respeito à diferença: Viver e deixar viver
Chegamos em Amsterdam com sua atmosfera super liberal, com seus coffee shops e suas putas “em vitrines”. Duas referências do país e provavelmente reponsáveis pela maior parte dos turistas que chegam em Amsterdam querendo sentar num bar e escolher no menu qual a procedencia da sua maconha ou querendo experimentar a sensaçao de se sentir atraido por uma mulher nua na rua e poder entrar e pagar sem constrangimentos.
Além dos turistas a vida nesses lugares é bastante “normal”. Talvez estivessem pelo distrito vermelho um ou outro senhor para encontrar suas acompanhantes de muitos anos, algum grupinho de amigos pra perder a virgindade, mas também estavam passeando pelo bairro casais, crianças e aposentados que deviam morar por perto. Talvez houvesse nos coffee shops um ou outro universitário comprando seu haxixe semanal, exatamente como no Brasil, ou na Espanha. Mas também o amigo do dono tomando um café depois do serviço.
A vida nao é tao diferente, as pessoas nao sao tao diferentes. Só nao estao tao preocupados, como a gente, em esconder algumas sombras. Estao acostumados e convivem com essa realidade abertamente, e já nem consomem, já que o que nao é mais proibido deixa de ser tao gostoso e se pode ver o que há de bom e o que há de ruim na prostituiçao e nas drogas que sao proibidas por aqui. No caso do aborto, por exemplo, alí é permitido e se pratica 10 vezes menos do que na América Latina onde é proibido na maioria dos casos.
Nao se trata de poder fazer tudo. Os coffee shops exigem documentaçao, só vendem para maiores de idade e nao se pode consumir nada nas ruas e nos espaços públicos. Ou no local ou em casa. É tudo regulamentado pelo estado e sem tanta hipocrisia ao redor. Ninguem vai passar mal porque misturaram alguma outra substância desconhecida no beque. Um problema social talvez, como alcool ou tabaco, que deve gerar gastos de saúde pública que sao pagos pelos impostos de todos.A prostituiçao fica reservada a uma zona de Amsterdam e é uma profissao, ou seja, elas pagam a seguridade social, sao empregadas legalmente e podem ter uma vida um pouco mais digna. Talvez existam agenciadores – os cafetoes – mas nao podem fazer o que bem entenderem com as mulheres, humilhando e maltrantando e escravizando como acontece onde é ilegal. Além disso, me deu a sensaçao de que elas podem escolher se querem ir ou nao com quem chega por ai.
O respeito às diferenças é sentido também no caso da orientaçao sexual. Passamos por diversos edificios com a bandeira do arco-iris, hotéis, lanchonetes e lojas de roupa e nenhuma era exclusiva para o público gay. Acho que era uma questao de poder falar abertamente de quem voce é e partir daí, quem quisesse entrar que se sentisse à vontade. Os imigrantes também estao mais integrados à sociedade, falam a língua e trabalham, nao como em outros países europeus onde estao chegando ilegais e invisiveis para viver em guetos.
Enfim, existe um clima de que voce pode fazer o que bem entender na cidade. E isso, contrariando as minhas expectativas, nao cria uma atmosfera hippie, alegre ou colorida. As pessoas estao ali, fugindo da chuva (em Amsterdam e em toda Holanda chove quase todos os dias), alguns mal humorados, todos com suas bicicletas, vivendo e deixando viver.
Bicicletas e charmosos canais
É impressionante a quantidade de gente que anda de bicicleta. O país é todo plano, o que facilita bastante a coisa. É bicicleta por todos os lados, em cidades grandes e pequenas, algumas sao deixadas na rua sem cadeado, outras em estacionamentos dignos dos shopings paulistanos, tres ou quatro andares só de bicicletas. Sao crianças indo para o colégio, adolescentes de madrugada voltando das festas, idosos fazendo compras, executivos engravatados indo ao trabalho, familias inteiras. O código de transito é especial, com sinalizaçoes de braço para mudar de pista, virar para a direita... Eles têm biciletas de 2, 3 pessoas, bicicletas para entregas, para carregamentos mais pesados, para ir com recém nascidos, “para ensinar a criança desde cedo”. Existem vias exclusivas em todas ruas e avenidas e rodovias, espaço especial para viajar com elas no trem.
Para entrar no clima, no segundo dia alugamos bicicletas e fomos fazer umas trilhas por parques naturais. O país é bem pequeno, menor que o Estado do Rio de Janeiro e em três horas chegamos no Mar do Norte, que é bem mais feio do que imaginávamos. Existem trilhas bem demarcadas e parece que é possível conhecer toda a Holanda pedalando em poucos dias.
Nos outros dias passeamos por cidadezinhas cheias de canais e bicicletas e mulheres loiras, que estao em forma, ao contrário da imagem que tínhamos de senhoras gordinhas e coradas de lenço na cabeça e tamancos nos pés. As cidades sao um pouco parecidas entre si, estilo medieval, umas mais preservadas e charmosas do que outras. E sem tanta influência romana como é o caso de Espanha, Portugal, França, Itália e América Latina, ou seja, vale a pena ver como sao organizadas espacialmente.
Algo curioso é que eles quase nao tem praças, quase nao existem esses espaços ao ar livre - a única coisa que eu vi foi uma feira. As pessoas passam seu tempo livre ou em casa, ou em restaurantes, bares, discotecas, talvez para fugir do frio e da chuva. É de se perguntar se essas caracteristicas climáticas tem alguma influência sobre como o povo se relaciona entre si, como quando dizem que nos países tropicais as pessoas sao mais alegres e simpáticas.
Fomos também até Rotterdam, que tem mais cara de cidade de verdade, sem tantas bicicletas, pessoas com pressa, negócios. Acho que é a única cidade por ali com cara de moderna, já que depois de ser inteiramente destruida durante a segunda guerra, optaram pela criaçao de outros edificios e nao pela restauraçao do que havia.
Se esse texto servir para os leitores como incentivo para conhecer os Países Baixos sugiro, além da óbvia Amsterdam, Alkmaar, de onde saímos para a trilha e de onde saem várias trilhas muito bem sinalizadas, e Delft, uma pequena e muy agradável cidadezinha medieval.
O prazer de viajar
O objetivo dessa viagem e desse texto era pensar sobre as diferenças que existem entre o meu jeito de ser e o dos holandeses, nossas realidades, nossas visoes de mundo, e acho que consegui pensar em muitas coisas. Mas tudo o que está escrito acima nao é imparcial, nem definitivo nem absoluto. Nada mais é que uma experiência de viagem, um diário daquilo que me marcou quando deixei meu lugar de sempre e decidi ir ao encontro de algo que nao me é familiar, quando decidi me abrir à possibilidade de ser tocado por uma realidade que nao é a minha. E essa decisao nao ajuda somente a conhecer outras culturas, cidades ou países, me ajuda a conhecer a mim mesmo, a como vivo a minha vida e, além disso, a pensar como posso vivê-la. Ao sair de onde moro tenho melhores condiçoes de perceber como moro. É fantástico. Que sirva de convite à viagens!
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Por que as pessoas entram nesse blog
Procurando no google por fotos de homens com cavanhaque
Procurando no google por redomas de vidro
Procurando no google por sofas de salas de estar residenciais (???)
Em homenagem a essas pessoas, sempre que tiver umas fotos novas no flickr eu coloco aqui no blog o toque, aqui no canto direito, em mural de fotos da viagem
Procurando no google por redomas de vidro
Procurando no google por sofas de salas de estar residenciais (???)
Em homenagem a essas pessoas, sempre que tiver umas fotos novas no flickr eu coloco aqui no blog o toque, aqui no canto direito, em mural de fotos da viagem
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Primeira frase ouvida em Santiago
Voce também fez o caminho de Santiago? Ah, desculpe, é que vi você ai deitado, sem energias, com essa mochila
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Notas soltas sobre o Brasil
Ontem começou o Outono e já esfriou um tanto.
As estaçoes no Brasil sao importadas.
Certeza que quando eu voltar pra Sao Paulo eu vou ser atropelado, malditos motoristas que ficam parando na faixa de pedestre
As estaçoes no Brasil sao importadas.
Certeza que quando eu voltar pra Sao Paulo eu vou ser atropelado, malditos motoristas que ficam parando na faixa de pedestre
quinta-feira, 31 de maio de 2007
And the Oscar goes to
Agora vou ter que ganhar do Marquito e da Pati no projeto nascente e me firmar como a mais nova promessa da literatura latino americana... (eba, vou aparecer na Bravo! Yupi...)
Enquanto isso vou adiantar meu discurso de agradecimento quando for receber o prêmio.
Queria agradecer à Carol por selecionar os textos, indicar onde eles estavam uma porcaria e por ter ficado horas tentando me inscrever... Quando eu começar a ganhar dinheiro com isso prometo que uma porcentagem será sua.
Queria agradecer à Tata que que compartilhou comigo a folha, a onda e ecos em palavras rachadas, sempre foi bom escrever com você, pena que faça tanto tempo já...
Queria agradecer ao Amoz Oz e ao Caio Fernando Abreu por me servirem de referência e cópia descarada em alguns momentos
Ao meu pai e à minha mãe, que desde que eu tinha 6 anos tinham certeza que eu ia ser escritor, salvando minhas histórinhas no computador jurássico de 1989.
A quem já me serviu de inspiração e me incentivou
E a todos que acreditam que a poesia ainda vai salvar essa humanidade perdida nas drogas e na promiscuidade
Enquanto isso vou adiantar meu discurso de agradecimento quando for receber o prêmio.
Queria agradecer à Carol por selecionar os textos, indicar onde eles estavam uma porcaria e por ter ficado horas tentando me inscrever... Quando eu começar a ganhar dinheiro com isso prometo que uma porcentagem será sua.
Queria agradecer à Tata que que compartilhou comigo a folha, a onda e ecos em palavras rachadas, sempre foi bom escrever com você, pena que faça tanto tempo já...
Queria agradecer ao Amoz Oz e ao Caio Fernando Abreu por me servirem de referência e cópia descarada em alguns momentos
Ao meu pai e à minha mãe, que desde que eu tinha 6 anos tinham certeza que eu ia ser escritor, salvando minhas histórinhas no computador jurássico de 1989.
A quem já me serviu de inspiração e me incentivou
E a todos que acreditam que a poesia ainda vai salvar essa humanidade perdida nas drogas e na promiscuidade
sábado, 3 de março de 2007
Hoje é festa lá no meu apê
Puuutz, hoje é quase o dia que eu vou me tornar adulto de verdade. Quase. Deixa eu ir que preciso dormir pra aguentar o tanto que eu quero beber hoje...
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